Funcionários de farmácias em São Paulo relatam temor diante da onda de assaltos motivados pela venda de medicamentos emagrecedores. Segundo apuração, os trabalhadores estão receosos principalmente nos períodos da noite e da madrugada, momentos em que os ataques costumam ocorrer com maior frequência.
Durante visita a unidades de redes conhecidas, funcionários afirmaram que a rotina mudou por causa dos roubos. Em uma farmácia que funciona 24 horas, a equipe passou a desligar o sistema automático da porta de vidro a partir das 22h ou 23h. Depois desse horário, a porta é trancada manualmente. A entrada só é liberada após observar se o cliente apresenta algum comportamento suspeito.
Em outra unidade, foi contratada segurança privada para ficar diariamente na porta do estabelecimento. Além disso, funcionários relataram que, no caso dos medicamentos emagrecedores, agora é exigido agendamento prévio da compra. O cliente apresenta a receita, faz o pedido e retorna depois para retirar o produto.
As grandes redes consultadas não quiseram se manifestar por questões de segurança e orientaram que a reportagem procurasse a Abrafarma, Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias. A entidade afirmou que não possui diretrizes específicas para essas situações e que cada unidade decide como proceder para se proteger de ataques. Não há coordenação centralizada por parte da associação.
Dados da Secretaria da Segurança Pública indicam aumento nos roubos a farmácias. De janeiro a setembro do ano passado, foram registrados 173 casos. No mesmo período de 2025, o número subiu para 211, uma alta de quase 20%. A pasta informou ainda que, entre janeiro e setembro, 68 pessoas foram presas ou apreendidas por esse tipo de crime — 60 adultos presos e 8 menores apreendidos. Quase um milhão de medicamentos emagrecedores foram recuperados pelas polícias nesse intervalo.
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