A Polícia Civil de São Paulo realiza, nesta terça-feira (14), mais uma operação para combater a adulteração de bebidas alcoólicas no estado. A ação, coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), cumpre 20 mandados de busca e apreensão em diversas cidades paulistas e resulta na prisão de seis pessoas, suspeitas de falsificar bebidas com possível presença de metanol — substância tóxica que já causou mortes no país.
A coletiva de imprensa, realizada na sede do Deic, contou com a presença do diretor do departamento, Ronaldo Saeg, do delegado-geral da Polícia Civil, Arthur Dian, do secretário executivo da Segurança Pública, doutor Nico, e da delegada responsável pela operação, Leslie Caram Petros.
Seis presos e suspeita de metanol em bebidas apreendidas
Segundo o repórter Guilherme Oliveira, que acompanhou a coletiva e trouxe as informações ao Bora Brasil, seis pessoas foram presas, sendo cinco por falsificação de bebidas e uma por porte ilegal de arma, mas também envolvida no esquema. A Polícia Civil ainda busca um sétimo suspeito.
Entre os 20 mandados cumpridos, 13 resultaram na apreensão de bebidas suspeitas. Ainda não há confirmação sobre a presença de metanol — substância altamente tóxica —, o que depende de análises laboratoriais.
O delegado-geral Arthur Dian informou que a ação faz parte de uma série de operações deflagradas após os casos de intoxicação registrados em diferentes estados.
“Já interditamos mais de 12 estabelecimentos e prendemos mais de 30 pessoas desde o início das investigações. As operações vão continuar para identificar mais falsificadores”, afirmou.
A operação desta terça atinge oito cidades: São Paulo, Santo André, Poá, São José dos Campos, Santos, Guarujá, Presidente Prudente e Araraquara.
Esquema pulverizado e atuação em rede
A delegada Leslie Caram Petros esclareceu que não há uma organização criminosa centralizada.
“São pessoas que se comunicam, cada uma com uma função: uns fornecem garrafas, outros os rótulos e lacres falsificados. Todos têm plena consciência de que falsificam a bebida e vendem por um valor bem abaixo do mercado”, explicou.
As investigações indicam que as bebidas adulteradas de São Paulo foram distribuídas para ao menos seis estados brasileiros. O diretor do Deic, Ronaldo Saeg, comparou o papel de São Paulo à função de um coração que bombeia sangue:
“São Paulo, pela sua dimensão e pela capacidade de abrigar fábricas clandestinas, acaba sendo o ponto focal dessa história. Infelizmente, envia esses produtos a outras partes do país.”
Intoxicações e mortes por metanol crescem no país
O Ministério da Saúde confirma até agora cinco mortes e 32 casos de intoxicação por metanol, além de outros 181 sob investigação. O balanço é atualizado diariamente e ainda não inclui novas ocorrências em Pernambuco, onde duas pessoas morreram e uma ficou cega após consumir bebidas adulteradas levadas de São Paulo.
De acordo com o perito criminal Rafael Arruda, o nível de metanol encontrado em amostras analisadas em Pernambuco é 300 vezes acima do tolerável.
“Nessa concentração, não há possibilidade de sobrevivência. O fígado não consegue metabolizar tamanha quantidade”, explicou.
Joel Datena alerta: “Não podemos normalizar a falsificação”
Durante o programa, o apresentador Joel Datena destacou a gravidade da situação e criticou a banalização da venda de bebidas adulteradas.
“Não dá para achar que é só uma falsificação inofensiva. Quando se mistura bebida com etanol de posto, que vem batizado com metanol, estamos falando de envenenamento. Isso é gravíssimo”, afirmou.
Joel ainda levantou a hipótese de falsificação de notas fiscais para facilitar o transporte interestadual das cargas.
“Essas bebidas não cruzam o país sem documentação. É possível que as notas também sejam falsas. Esse esquema é mais sofisticado do que parece”, completou.
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