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Operação mira esquema de corrupção na Polícia Civil de São Paulo

Ministério Público cumpre 25 mandados de busca e 11 de prisão contra policiais civis, doleiros e suspeitos de ligação com o crime organizado.

Por Redação
REDAÇÃO

05/03/2026 • 11:07 • Atualizado em 05/03/2026 • 11:07

Policia Civil

Policia Civil

Elinaldo Bonfim

Uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira pelo Ministério Público de São Paulo, com apoio da Polícia Federal e da Corregedoria, apura um amplo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais civis, doleiros e integrantes do crime organizado na capital paulista.

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Ao todo, foram expedidos 25 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão. Nove pessoas já haviam sido presas até a última atualização, incluindo agentes da Polícia Civil de São Paulo.

Segundo as investigações, o esquema funcionava de duas formas principais. Em uma delas, doleiros — alguns já investigados no âmbito da Operação Lava Jato — identificavam riscos para organizações criminosas e ofereciam propina a policiais para ocultar provas ou dificultar investigações.

Na outra frente, os próprios agentes públicos, de posse de informações privilegiadas, procuravam integrantes do crime organizado para negociar vantagens indevidas em troca de “limpar” situações investigativas.

A lavagem de dinheiro ocorria por meio de empresas de fachada, especialmente padarias e mercados, além do uso de criptomoedas e até de tickets alimentação. De acordo com o MP, os valores eram pulverizados nesses estabelecimentos para posterior reintrodução no sistema financeiro com aparência de legalidade.

Um dos pontos mais graves revelados pela apuração envolve a troca de um HD apreendido em operação anterior. O equipamento original continha provas contra integrantes do crime organizado, mas teria sido substituído por outro idêntico, sem qualquer conteúdo relevante. A troca, segundo os investigadores, ocorreu dentro de um departamento vinculado à Polícia Civil.

Os agentes investigados estariam ligados ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e também ao 16º e 35º Distritos Policiais da capital.

A investigação teve início em 2022, quando o Ministério Público apurava inicialmente a atuação de doleiros. Durante a análise de conversas e documentos, surgiram indícios da participação de policiais civis no esquema, o que levou ao aprofundamento das diligências e à operação desta quinta-feira.

Apesar da dimensão do caso, o Ministério Público informou que não haverá coletiva de imprensa ao fim da ação. As informações seguem sendo divulgadas de forma gradual pelas autoridades.

O caso lança luz sobre um problema histórico que atinge instituições públicas: a atuação de uma minoria envolvida em práticas ilícitas que acabam por comprometer a imagem de corporações compostas majoritariamente por profissionais que exercem suas funções de forma regular.