
Lula durante visita à Aldeia Vista Alegre do Capixauã.
Ricardo Stuckert/PR
O economista e ex-presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, criticou duramente a manutenção dos juros elevados no Brasil e expressou ceticismo sobre os resultados práticos da COP30, em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes. Segundo ele, a taxa Selic em 15% é fruto de uma "idiotice nacional" ao usar os juros como único mecanismo de combate à inflação, enquanto o governo segue gastando sem controle.
Para Rabello, o governo é responsável por quase 40% do PIB em gastos e é "insensível" à taxa de juros. "O ministro Fernando Haddad fala como consultor, mas age como chefe da gastança. Se realmente discorda da Selic, que convoque o Conselho Monetário Nacional para rever o orçamento rubrica por rubrica", afirmou.
Ao comentar a declaração de Haddad de que "tem alergia à inflação, mas que os juros não fazem sentido", Rabello foi incisivo: "A economia é maneta. O Banco Central faz sua parte, mas não tem colaboração do restante do governo nem do Congresso Nacional".
Sobre a COP30, o economista se disse descrente com a efetividade do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, anunciado pelo Brasil como solução para premiar países que preservam florestas nativas. "É discurso bonito, mas até hoje não saiu um dólar dos fundos prometidos. Desde o Acordo de Paris, os países ricos prometem, mas não entregam", disse.
Rabello destacou que a solução real seria a criação de um mercado de créditos de carbono robusto e com regulação internacional, onde emissores de gases pagassem àqueles que preservam. "É preciso uma estrutura de oferta e demanda. Poluidores devem pagar e os donos de florestas receber", defendeu.
O economista ainda ressaltou a contradição entre o discurso ecológico e o comportamento dos países desenvolvidos: "Quem mais polui são os que menos querem pagar. Os grandes emissores não estão nem na COP30".
Por fim, Rabello comentou a relação entre investimentos em segurança e percepção de risco. Segundo ele, estados que mais gastam não são necessariamente os mais seguros, mas é necessário um investimento inicial alto para mudar a cultura de impunidade. "Quando todos cumprem a lei, gasta-se menos com polícia. Mas até chegar lá, é preciso gastar muito para impor o respeito às regras."
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