O clima político no Parque São Jorge atingiu o ponto de ebulição nesta quarta-feira com o avanço do processo de impeachment contra o presidente Osmar Stabile. Após o protocolo realizado pelo conselheiro Antonio Roque Cittadini, o presidente do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão, encaminhou formalmente a denúncia ao Comitê de Ética do clube. O mandatário é acusado de gestão temerária e violação estatutária, tendo como estopim a polêmica decisão de oferecer a sede social do Parque São Jorge como garantia para dívidas fiscais que ultrapassam R$ 1,2 bilhão. Agora, o processo entra em fase de avaliação técnica pelos quatro membros do comitê, colocando o futuro da gestão Stabile sob risco de interrupção.
O motivo do impasse: Parque São Jorge como garantia
A oposição argumenta que a manobra coloca em risco a sede social e histórica do clube sem a devida transparência ou anuência necessária. Para os defensores do impeachment, a ação configura uma gestão irresponsável diante da dívida total do Corinthians, que já ultrapassa a marca dos R$ 3 bilhões.
Debate: Fiscalização ou Perseguição?
Na bancada da Rádio Bandeirantes, o clima foi de ceticismo quanto à eficácia de mais um processo de afastamento. Comentaristas destacaram que o Corinthians vive em um ciclo interminável de pedidos de impeachment que, muitas vezes, servem mais como "cortina de fumaça" política do que como solução financeira.
"Se esses conselheiros tivessem o mesmo ímpeto de fiscalizar as contas do clube como têm de pedir impeachment, o Corinthians seria a Suíça", disparou um dos analistas, ressaltando que a dívida bilionária é fruto de gestões acumuladas e não apenas da atual administração.
Zeladoria e abandono da Arena
Além da turbulência política, o cotidiano do clube também sofre críticas. Relatos de torcedores apontam para o abandono na manutenção da Arena Corinthians. No último clássico, banheiros interditados e condições precárias de zeladoria foram registrados.
O custo fixo mensal para manter o estádio gira em torno de R$ 1 milhão, mas o atraso em pagamentos para empresas terceirizadas de limpeza tem refletido diretamente na experiência do Fiel Torcedor. "O estádio se paga, ele produz riqueza. O problema é que o dinheiro do estádio acaba sendo usado para tapar outros buracos", concluiu a bancada.
Próximos Passos
O Comitê de Ética, formado por quatro membros, avaliará o teor da denúncia. Caso o parecer seja favorável ao prosseguimento, o processo retorna ao Conselho Deliberativo e, posteriormente, pode ser levado à Assembleia Geral de Sócios.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:


