
Senador Flávio Bolsonaro
Bruno Peres/Agência Brasil
Um recente levantamento da pesquisa Quaest movimentou o cenário político nacional ao apontar um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno para as eleições presidenciais. Ambos aparecem com 41% das intenções de voto, um quadro drasticamente diferente do observado em dezembro do ano passado, quando a vantagem de Lula sobre o senador era de 10 pontos percentuais.
A aproximação entre os dois nos levantamentos foi progressiva. A diferença, que era de 10 pontos, caiu para sete em janeiro e para cinco em fevereiro, até se dissipar por completo na primeira quinzena de março. Essa evolução nas pesquisas coincide com uma série de reações e movimentos no âmbito do governo federal. Um dos episódios que chamou a atenção foi o cancelamento da presença do presidente Lula na solenidade de posse do novo presidente do Chile, José Antônio Casti. A decisão foi tomada na véspera da divulgação dos dados da Quaest .
Fontes indicam que o cancelamento estaria relacionado ao convite feito também ao senador Flávio Bolsonaro, que possui uma relação de amizade com o novo líder chileno, para comparecer à cerimônia. A presença de ambos no mesmo evento, justamente no dia em que a pesquisa seria divulgada, poderia gerar comparações e análises políticas inevitáveis sobre a ascensão do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Internamente, o resultado da pesquisa teria intensificado a pressão sobre a equipe de comunicação do governo. Relatos apontam para a insatisfação do presidente Lula com a dificuldade em divulgar o que considera avanços e notícias positivas de sua gestão, o que, na sua avaliação, não estaria sendo percebido pela população, conforme refletido nos números do levantamento. A dificuldade de emplacar uma agenda positiva contrasta com a percepção de medidas impopulares, como a criação ou aumento de mais de 30 impostos durante o período de seu governo.
O cenário atual demonstra a força e a resiliência do bolsonarismo, mesmo diante das questões legais enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi declarado inelegível e condenado a 27 anos de prisão. Apesar das tentativas de enfraquecer seu capital político, o ex-presidente continua a ser uma figura influente no debate público, e seus apoiadores mantêm uma posição competitiva no xadrez eleitoral.
Essa conjuntura já alimenta especulações no mercado financeiro, especialmente entre banqueiros e investidores da Faria Lima que são próximos ao atual governo. Discute-se a possibilidade de uma eventual desistência de Lula em concorrer à reeleição, abrindo espaço para uma candidatura alternativa do PT. O nome mais cotado para essa substituição seria o do ministro da Economia, Fernando Haddad. Um levantamento recente do Paraná Pesquisas indicou que Haddad seria o político petista com maior competitividade eleitoral para uma eventual disputa presidencial, caso o atual presidente decida não concorrer.
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