
Armas e cartuchos apreendidos
Reprodução
Uma nova pesquisa realizada pelo Datafolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública traduz em números uma sensação que permeia a vida no país: o medo constante da violência. O levantamento revela que 57% dos brasileiros já alteraram sua rotina diária por insegurança, e impressionantes 96,2% da população com mais de 16 anos afirmam ter medo de ser vítima de pelo menos um tipo de crime.
A pesquisa, que ouviu 2.004 pessoas em 137 cidades, detalha como esse temor se materializa em ações concretas. A mudança de comportamento mais citada foi deixar de fazer um percurso a pé ou de transporte público, relatada por 36% dos entrevistados. Logo em seguida, 35% afirmaram ter parado de sair à noite. Um dado que reflete a realidade de grandes centros como São Paulo é que 26,8% dos participantes agora retiram a aliança antes de sair de casa para não atrair a atenção de criminosos. O medo influencia até mesmo as decisões de consumo: 22% dos entrevistados deixaram de adquirir um bem de valor, como um novo celular, por receio de serem roubados.
Contrariando estatísticas oficiais que por vezes apontam para a diminuição de certos delitos, a percepção popular de insegurança é avassaladora. Segundo o estudo, 40% dos brasileiros — o que equivale a cerca de 66 milhões de pessoas — foram vítimas de algum crime ou presenciaram um parente ou amigo próximo passar por essa situação nos últimos 12 meses.
No topo da lista de preocupações estão os crimes virtuais. Mais de 80% dos entrevistados declararam ter medo de sofrer um golpe online, um temor que supera ligeiramente o medo de ser vítima de um assalto à mão armada, mencionado por 82% dos participantes. Esse dado evidencia a crescente sofisticação da criminalidade e seu avanço para o ambiente digital.
A pesquisa também lança luz sobre a influência do crime organizado no cotidiano da população. Cerca de 31% dos brasileiros relataram viver em regiões controladas por facções, tráfico de drogas ou milícias. Nas capitais, esse percentual salta para alarmantes 55,9%. A maioria dessas pessoas afirma ter medo de realizar denúncias, o que demonstra o poder e a intimidação exercidos por esses grupos.
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