
Petróleo
REUTERS/Kim Hong-Ji
A alta recente no preço do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, já começa a gerar efeitos concretos na economia brasileira. O encarecimento dos combustíveis, sentido diretamente pelo consumidor, é apenas a ponta de um problema mais amplo que atinge setores estratégicos como o agronegócio.
Segundo análise do economista Paulo Rabello de Castro, o Brasil enfrenta um cenário de “desarranjo” no mercado, com aumento nos custos de produção e risco de escassez de insumos. Um dos principais pontos de vulnerabilidade está na dependência de fertilizantes importados, muitos deles ligados à cadeia do petróleo e com rotas que passam por regiões sensíveis como o Estreito de Hormuz.
Além disso, a queda recente nos preços de commodities como soja, milho, café e cacau agrava a situação do agro, comprimindo margens e elevando o endividamento do setor. O resultado já aparece no aumento dos pedidos de recuperação judicial no campo.
No cenário internacional, a instabilidade geopolítica segue sem solução clara. Declarações do ex-presidente Donald Trump sobre o fim da guerra contrastam com a postura do Irã, que nega ligações com Washington. O impasse mantém o mercado em alerta e sustenta o preço do barril na faixa entre 90 e 100 dólares.
Internamente, medidas do governo brasileiro para conter os impactos, como a criação de novos tributos sobre o setor de petróleo, são alvo de críticas e questionamentos jurídicos. Para especialistas, além de potencialmente inconstitucionais, essas ações podem ter efeito limitado diante de uma crise global.
Outro ponto de atenção é a atuação da Petrobras. A estatal ainda não repassou integralmente a alta internacional aos combustíveis, mas a defasagem tende a ser corrigida, o que pode significar novos aumentos nas bombas nas próximas semanas.
Diante desse cenário, cresce o temor de uma crise financeira global nos próximos 12 meses, em magnitude semelhante ou até superior à de 2008, caso o conflito se intensifique e os preços da energia continuem pressionados.
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