
Um grupo de 118 passageiros haitianos está retido no Aeroporto Internacional de Viracopos
Reprodução
A Polícia Federal abriu investigação para apurar a atuação da companhia aérea responsável por um voo fretado que trouxe ao Brasil 118 imigrantes haitianos com documentação irregular. A aeronave chegou ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, na manhã de quinta-feira, procedente da cidade de Cabo Haitiano, no Haiti.
Durante o desembarque, agentes da Polícia Federal identificaram que a maioria dos passageiros apresentava vistos humanitários de migração supostamente falsificados. Diante da irregularidade, foi aplicada a medida administrativa de inadmissão migratória, que determina o reembarque dos passageiros ao país de origem.
Pelas regras migratórias brasileiras, a companhia aérea responsável pelo transporte deve providenciar o retorno imediato dos passageiros ao local de onde partiram. No entanto, segundo a Polícia Federal, o avião — um Boeing 737 — apresentou problemas operacionais e não pôde decolar novamente.
Com isso, os passageiros permaneceram dentro da aeronave durante grande parte do dia no pátio do aeroporto. Apenas à noite, o grupo foi levado para uma área restrita do terminal de Viracopos, onde passou a ter acesso a banheiro, água e alimentação.
A situação foi acompanhada por representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e pela Defensoria Pública, que prestaram orientação aos passageiros sobre seus direitos e sobre os procedimentos migratórios em curso.
Pais ou responsáveis por crianças que estavam no voo receberam autorização para ingressar no Brasil. Já os demais passageiros permanecem aguardando a conclusão dos procedimentos administrativos relacionados à situação migratória.
A companhia aérea Aviacionista Tecnológica, identificada como responsável pelo voo, afirmou que os haitianos pretendiam solicitar refúgio ao chegar ao país e negou que os documentos apresentados fossem falsos.
O Itamaraty, por sua vez, informou que, dos 118 passageiros, 113 apresentaram vistos classificados como de reunião familiar. A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar a empresa Aviatza por suspeita de contrabando de imigrantes e busca esclarecer como o grupo conseguiu deixar o Haiti utilizando documentação considerada irregular.
A apuração também deverá identificar possíveis responsáveis pela emissão ou intermediação dos documentos apresentados pelos passageiros durante a viagem.
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