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Piloto acusa ministro do STF e senador de ligação com o crime organizado

Em depoimento e vídeos, ex-piloto de táxi aéreo detalha voos com autoridades e suposto transporte de dinheiro para políticos a mando de empresários foragidos.

Por Redação
REDAÇÃO

03/02/2026 • 09:47 • Atualizado em 03/02/2026 • 09:47

Piloto denuncia Dias Toffoli

Piloto denuncia Dias Toffoli

© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Acusações feitas por um ex-piloto de táxi aéreo criaram forte turbulência nos bastidores do poder em Brasília, ao conectar nomes proeminentes da República a empresários foragidos e apontados pela Polícia Federal como lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). Desde novembro de 2024, Mauro Matosinho, que atuava na empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), tem divulgado uma série de vídeos com revelações sobre voos que teria realizado, envolvendo autoridades e supostos esquemas ilícitos.

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Em uma das denúncias mais graves, Matosinho afirma ter pilotado uma aeronave que transportou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. "Eu pilotei o Sierra Mike Golf em um voo que teve a bordo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. O itinerário incluiu Brasília e Ourinhos, mas o destino final era o resort Tayaiá", declarou o piloto em gravação.

Outro nome citado é o do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas (PP). Matosinho alega que, a mando de seu então chefe na TAP, Epaminondas Xenu, transportou uma sacola com dinheiro destinada ao parlamentar. "No dia 6 de agosto, em um voo para Brasília, Epaminondas me entregou uma sacola de papel. Ele disse que eu precisava ter cuidado, porque ali continha grana", detalha. "Essa sacola saiu de São Paulo, mas não retornou. Segundo conversas entre Beto e o pessoal da REAG, o destino seria o senador Ciro Nogueira."

Os indivíduos mencionados como "Beto" e donos da aeronave são Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamed Mourad, apelidado de "primo". Ambos, que atuavam no setor de combustíveis e mantinham relações com o fundo de investimentos REAG, são alvos da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal e estão foragidos desde outubro de 2024. A investigação os aponta como importantes lideranças do PCC.

Atualmente, a defesa de "Beto Louco" e "primo" negocia dois acordos de delação premiada: um com o Ministério Público de São Paulo e outro com a Procuradoria-Geral da República. Enquanto as tratativas na esfera federal não avançaram, as negociações estaduais prosseguem, prometendo revelar detalhes de um esquema de propinas que pode chegar a 400 milhões de reais, envolvendo políticos e outras autoridades.

As revelações de Matosinho se estendem a Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Segundo o piloto, pelo menos quatro jatinhos utilizados por políticos e pelo crime organizado pertenceriam a Rueda. Ele descreve ainda a normalização de pagamentos ilícitos. "Em diversos momentos houveram pagamentos feitos em dinheiro em espécie. Em alguns casos eu presenciei, em outros eu ouvi diretamente do dono da empresa. E esses valores eram às vezes chamados, ironicamente, de cargas perigosas", relata.

Em agosto de 2023, Mauro Matosinho prestou depoimento formal à Polícia Federal sobre os fatos. Contudo, segundo os agentes federais, não foi encontrada materialidade suficiente nas alegações para dar prosseguimento a uma investigação formal baseada apenas em seu testemunho.

Procurado para comentar as acusações, Antônio Rueda, por meio de nota, classificou as declarações como "ilações sem fundamento". O senador Ciro Nogueira e o ministro Dias Toffoli não se manifestaram sobre o caso até o fechamento desta reportagem.

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