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Polícia descobre fábrica clandestina de bebidas com etanol de posto no ABC Paulista

Operação confirma mistura de etanol e metanol em bebidas que causaram mortes; casal é alvo de prisão e investigação rastreia origem do combustível.

Por Redação
REDAÇÃO

10/10/2025 • 14:23 • Atualizado em 10/10/2025 • 14:23

Bebidas

Bebidas

© UFPR/Divulgação

A Polícia Civil de São Paulo confirma que as bebidas que causaram mortes por intoxicação no estado foram adulteradas com etanol de posto de combustível misturado a metanol, substância altamente tóxica. A informação foi divulgada pelo secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, durante entrevista coletiva no Departamento de Homicídios, na capital.

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De acordo com a repórter Maju Arruda Leite, que acompanhou a coletiva, a investigação levou à descoberta de uma fábrica clandestina em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, responsável por distribuir bebidas adulteradas para bares e comércios da região. “A principal tese da investigação foi confirmada: as bebidas continham etanol de posto misturado com metanol”, relatou Maju.

Fábrica clandestina é descoberta em flagrante

No momento da operação, uma mulher identificada como Vanessa foi flagrada manipulando os líquidos e presa em flagrante por falsificação e adulteração de produtos. A pena prevista para o crime varia de quatro a oito anos de prisão. O marido dela, que já havia sido preso anteriormente pelo mesmo delito, segue foragido.

Segundo Derrite, os indícios apontam que a fábrica comprava o etanol de um ou mais postos de combustível suspeitos, o que será confirmado nas próximas etapas da investigação. “A nossa suspeita é que os casos de lesões e mortes estejam ligados à aquisição de etanol do mesmo posto ou da mesma rede”, afirmou o secretário. Ele classificou como “absurda” a concentração de metanol encontrada nas bebidas — entre 14% e 45%.

Instituto de Criminalística detecta alta contaminação

O diretor do Instituto de Criminalística, Claudinei Salomão, informou que cerca de 1.800 garrafas foram apreendidas. Destas, 300 já passaram por perícia, e metanol foi detectado em 150 delas, com índices que variam entre 10% e 45%. “É um número muito alto. Lembrando que 0,01% já é prejudicial à saúde humana”, reforçou Derrite.

As primeiras mortes confirmadas ocorreram em setembro, quando um homem passou mal após consumir bebida adulterada e morreu quatro dias depois. A partir dessa ocorrência, o bar foi vistoriado, e peritos encontraram metanol em oito das nove garrafas apreendidas.

Crime que se repete: “um crime prejudicando outro crime”

Ao ser questionado sobre possíveis conexões com outros casos de intoxicação no país, Derrite destacou que o esquema envolve duas etapas criminosas. “O primeiro crime é adulterar o etanol com metanol nos postos. O segundo é a compra desse combustível por organizações criminosas que o utilizam para falsificar bebidas”, explicou.

O secretário afirmou que esse modus operandi está se tornando mais comum e que o crime organizado “já tem ciência” da prática, o que preocupa as autoridades. A Polícia Civil segue mapeando os pontos de venda e abastecimento para identificar a origem exata do combustível adulterado.

Joel Datena alerta: “Não há segurança para consumir bebidas agora”

Durante o programa, o apresentador Joel Datena manifestou preocupação com os riscos à população. “Duvido que hoje as pessoas estejam tranquilas quanto a isso. Vai demorar muito para sentir segurança em tomar uma caipirinha num bar”, afirmou.

Joel pediu bom senso aos comerciantes. “Quem comprou bebida sem nota fiscal ou de origem duvidosa deve jogar fora. Não dá pra correr o risco. Quem age assim com dó do prejuízo está promovendo um crime e arriscando a vida dos outros”, alertou.

Ele também defendeu a atuação da polícia e cobrou punição aos fabricantes. “Quando a polícia quer, ela chega. E esse caso é exemplar porque vai na raiz do problema — o fabricante, quem inicia a cadeia da adulteração”, disse o apresentador.