Único candidato à presidência da CBF, em eleição a acontecer no dia 25 de maio, Samir Xaud prometeu autonomia total a Carlo Ancelotti no comando da Seleção Brasileira, disse ser a favor da criação de uma liga única no futebol brasileiro e rebateu uma declaração de Ronaldo Fenômeno.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes, nesta segunda-feira (19), Xaud também revelou que entrou em contato com a equipe de Ancelotti para tranquilizar o italiano em meio à crise institucional na CBF.
Está vindo um grande técnico para somar. Ele precisa ter autonomia para trabalhar, e ele vai ter. Sem interferências externas, sem interferências internas. A imagem da CBF só vai melhorar quando a gente conseguir organizar a casa - Samir Xaud.
"Ainda não tive pessoalmente com ele [Ancelotti], mas a assessoria jurídica sim, porque pedi que tivesse esse contato, até para dar um conforto para ele. O Ancelotti vai permanecer como técnico, me questionaram se eu ia mudar. Eu não cheguei nem a ver o contrato, estou respeitando muito o período eleitoral. Muitas coisas acontecem nesses dias pré-eleição, mas eu só vou saber mesmo na segunda-feira [26]. (…) Deixo claro que nosso técnico vai ter total autonomia de escolher, de montar e de gerir a nossa Seleção, junto com a comissão dele".
Nascido em Boa Vista, capital de Roraima, Samir Xaud tem 41 anos, é médico infectologista e também trabalha com "saúde, bem-estar e esportes", de acordo com a sua biografia nas redes sociais. Ele é filho de Zeca Xaud, presidente da Federação Roraimense de Futebol desde a década de 1970, e foi eleito recentemente para substituir o pai no cargo.
Na atual eleição para a presidência da CBF, Xaud teve apoio de 25 das 27 federações, o que inviabilizou o registro de qualquer outra chapa no pleito. Além disso, 10 clubes levantaram apoio ao médico.
Xaud rebate Ronaldo Fenômeno
À Rádio Bandeirantes, Samir Xaud também rebateu uma declaração de Ronaldo, que demonstrou, em março deste ano, a intenção de concorrer à presidência da CBF. Sem apoio de federações, ele desistiu da ideia e criticou o sistema.
No último domingo (18), em entrevista exclusiva à Band no GP da Emilia-Romagna, falou sobre a saída de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF (afastado pela Justiça do Rio de Janeiro) e criticou o novo processo eleitoral, dizendo que são todos “farinha do mesmo saco”.
“Eu achei que ele foi equivocado nas colocações, mas eu entendo o lado dele. Faz parte, ele queria estar também, essa cadeira é muito desejada, por muitas pessoas. Eu vou voltar a repetir: se ele quisesse concorrer a esse pleito, a forma que ele chegou foi totalmente errada. Isso é uma política. Ele não pode querer falar com as federações por um e-mail formalizado, comum para todas. E no e-mail ainda criticando o Ednaldo, que era quem estava na gestão. Então eu achei sim que a maneira como ele chegou foi equivocada, mas eu deixei claro também que as portas estão abertas para o diálogo. Eu não tenho nada pessoal contra o Ronaldo, mas uma coisa eu tenho que falar. Eu não sou farinha do mesmo saco”, afirmou Samir Xaud.
No GP de Fórmula 1, Ronaldo disse que a crise política na CBF não é novidade para ninguém. "É um momento terrível e o mais impressionante é que nós não vemos uma luz no fim do túnel. Enquanto o estatuto da CBF for esse em que o poder fica na mão dos 27 presidentes de federações, essa palhaçada vai continuar", disse Ronaldo.
“Não há chance de reforma no futebol brasileiro. Muda a página, mas o livro é o mesmo. Tudo farinha do mesmo saco. É uma pena. O futebol brasileiro tem um potencial tão grande, com talentos, jogadores…”
Outras declarações de Samir Xaud
Criação de uma liga
Com certeza. Eu tenho essa visão, inclusive a CBF pode ajudar na organização na liga. O mais importante da CBF, a meu ver, é o futebol de base, o futebol feminino. Acredito muito nisso, ainda mais que vim de uma região muito distante, e falta investimentos maiores para isso. Se a CBF cuidar da Seleção Brasileira, do futebol de base e do futebol feminino, deixando o Campeonato Brasileiro Série A e B para a liga, acredito que vamos ter uma evolução muito boa nesse sentido, além de melhorar essa questão de datas, do calendário.
A gente vai sentar, fazer um estudo junto com os clubes, importante ouvi-los. Mas isso passa também pela questão da liga. Eu tenho um objetivo de tirar esse projeto da liga do papel, a gente precisa dar início a isso. A gente tem um produto muito importante na mão, que não está sendo usado da forma correta para valorizar ainda mais nosso futebol.
Arbitragem e impedimento semiautomático
Profissionalização da arbitragem eu sou totalmente a favor. Eu sou um jovem, que gosta de estudar. Acredito muito nos estudos, na educação continuada, em tecnologias novas também. O impedimento semiautomático, a gente vai fazer um estudo bem aprofundado para ver se conseguimos implementar nos nossos campeonatos, a bola com chip. São algumas tecnologias que temos em mente para executar.
Contato com os clubes
Eu tentei contato com a maioria dos clubes, e esses que acreditaram no nosso projeto são clubes que eu tenho algum contato pessoal. Na conversa com eles, coloquei todos meus objetivos, o que eu penso em fazer para o futebol brasileiro. E eles compraram essa ideia, até agradeço a todos. Os que não vieram, a gente vai abraçar, porque o pleito eleitoral já passou. A ideia é ter esse relacionamento mais aberto dentro da CBF, porque se eles não se organizarem, não tem como criar uma liga. A CBF vai dar todo o suporte para que isso saia do papel.
Autonomia na CBF
Precisamos dar autonomia pra todos os profissionais que trabalham na CBF, e temos excelentes profissionais. É dessa forma que eu faço gestão, acredito muito que esse modelo de gestão dá certo. Na minha vida pública sempre agi dessa forma, e os resultados sempre foram muito positivos.
Retomar confiança e melhorar imagem da CBF
Eu ainda não sou presidente, só a partir da outra segunda-feira. Nós precisamos trabalhar a imagem da Seleção Brasileira e da CBF. Acredito que os últimos resultados do Brasil em campo contribuíram para essa questão de imagem, fora os problemas institucionais. Nós precisamos primeiro de estabilidade. Entrar, conversar com as pessoas, porque não tinha relacionamento interpessoal lá dentro, era uma gestão muito centralizada, um poder muito centralizado. Era difícil até federação conversar, ter um diálogo. Acho que parte daí: o diálogo é importante, e a gente precisa tentar primeiro dar essa estabilidade para todos trabalharem.
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