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Presidente da CPMI do INSS critica interferência do STF

Senador Carlos Viana afirma que decisões de ministros do Supremo têm limitado investigações sobre fraudes bilionárias contra aposentados.

Por Redação
REDAÇÃO

10/03/2026 • 10:27 • Atualizado em 10/03/2026 • 10:27

Carlos Viana

Carlos Viana

Divulgação/Podemos

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS, senador Carlos Viana, criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal em decisões que, segundo ele, têm interferido diretamente nos trabalhos da comissão. Em entrevista, o parlamentar afirmou que decisões monocráticas de ministros da Corte vêm limitando o alcance das investigações conduzidas pelo Congresso.

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Segundo o senador, o momento atual exige um debate sobre o equilíbrio entre os poderes da República. Ele argumenta que a Constituição estabelece mecanismos de freios e contrapesos entre Legislativo, Judiciário e Executivo, mas avalia que o Judiciário tem ampliado sua atuação sobre decisões do Parlamento.

Uma das críticas feitas pelo parlamentar foi a decisões que suspenderam medidas aprovadas pela CPMI. Na avaliação dele, esse tipo de intervenção enfraquece a capacidade de investigação da comissão, que possui poderes semelhantes aos de autoridades policiais para convocar testemunhas e solicitar documentos.

A CPMI apura um esquema de fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. De acordo com o senador, investigações indicam que bilhões de reais podem ter sido desviados ao longo dos últimos anos por meio de contratos e autorizações irregulares.

O parlamentar também mencionou a tentativa de convocar o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para prestar esclarecimentos à comissão. Segundo ele, a instituição teria herdado uma carteira de empréstimos consignados com centenas de milhares de contratos vinculados a aposentados, muitos deles sem comprovação de autorização dos beneficiários.

Ainda de acordo com o senador, auditorias realizadas posteriormente identificaram cerca de 240 mil casos de descontos sem documentação que comprovasse a contratação dos empréstimos. Parte do dinheiro desviado já foi bloqueada pela Justiça em forma de bens e valores apreendidos.

Para tentar destravar os trabalhos da CPMI, o senador afirmou que pretende buscar diálogo com ministros do Supremo, incluindo André Mendonça e Edson Fachin, com o objetivo de discutir decisões que impactam diretamente o andamento das investigações.

A comissão também estuda medidas legislativas para impedir que fraudes semelhantes voltem a ocorrer no sistema previdenciário e para fortalecer mecanismos de controle sobre descontos aplicados nos benefícios de aposentados e pensionistas.