
Alexandre de Moraes
Jorge Silva/Reuters
A crise envolvendo o escândalo do Banco Master ampliou a pressão política sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Nesta segunda-feira (9), parlamentares ligados ao Partido Novo anunciam o protocolo de um novo pedido de impeachment contra o magistrado.
O movimento político conta com o apoio do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Segundo os articuladores, o pedido tem como base as revelações sobre a relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em apurações sobre supostos crimes financeiros.
Nos últimos dias, reportagens também destacaram contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Os valores citados nas reportagens ultrapassariam R$ 100 milhões, o que intensificou cobranças por explicações públicas.
A repercussão do caso alterou o foco das críticas dentro do debate político. Até então, parte das controvérsias girava em torno do ministro Dias Toffoli, também citado em reportagens relacionadas ao banqueiro e a negócios ligados ao ecossistema financeiro do banco.
O episódio ganhou ainda mais dimensão após a divulgação de mensagens atribuídas ao celular de Alexandre de Moraes em conversas com Vorcaro. A autenticidade das comunicações foi questionada inicialmente, mas reportagens e análises posteriores indicaram que os registros teriam origem no aparelho do ministro.
A situação ampliou a pressão política no Congresso. O deputado federal Nikolas Ferreira chegou a apresentar representação à Procuradoria-Geral da República pedindo apuração do caso e levantando a hipótese de obstrução de justiça.
Nos bastidores de Brasília, o clima é de tensão institucional. Interlocutores do Supremo avaliam que a crise envolvendo ministros da Corte pode abrir espaço para um debate mais amplo sobre pedidos de impeachment contra integrantes do tribunal — algo raro na história recente do país.
Tradicionalmente, processos de impeachment contra ministros do STF dependem de decisão política do Senado Federal, responsável por analisar e julgar eventuais acusações. Até hoje, nenhum ministro foi efetivamente afastado do cargo por meio desse mecanismo.
Com o caso ganhando dimensão política e institucional, a expectativa em Brasília é de que os próximos dias tragam novos desdobramentos tanto no Congresso quanto dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.
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