
Ratinho Jr
Paulo Pinto - Agência Brasil
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), anunciou oficialmente nesta segunda-feira a sua desistência de concorrer à indicação do partido para a disputa presidencial de 2026. Em um comunicado à imprensa, ele informou que, após uma conversa com sua família no fim de semana, decidiu não seguir com o projeto de apresentar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Com a decisão, ele se compromete a cumprir seu mandato como governador até o final, abdicando também de uma eventual candidatura ao Senado.
A saída de Ratinho Júnior da disputa interna do PSD, comandado por Gilberto Kassab, altera o cenário do partido, que agora se concentra em outros dois nomes de peso: os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. A movimentação acontece em um contexto de forte polarização política no país, com as pesquisas de intenção de voto apontando para um embate concentrado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Flávio Bolsonaro, dificultando a ascensão de uma chamada "terceira via".
Embora o motivo oficial da desistência tenha sido de ordem familiar, análises dos bastidores políticos levantam outras hipóteses. Uma das especulações mais fortes é a de que o governador possa estar preocupado com o impacto de eventos futuros na política nacional, como a potencial delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cujos desdobramentos ainda são imprevisíveis.
Outra linha de análise aponta para a conjuntura política do Paraná. O governador estaria receoso de deixar o cargo vago para uma disputa eleitoral, fragilizando seu grupo político. A preocupação se intensifica com o fortalecimento de uma frente de oposição no estado, liderada pelo ex-juiz Sérgio Moro, que estaria se aproximando de partidos como União Brasil e Novo, anteriormente parte da base de apoio de Ratinho Júnior. Diante deste cenário, a permanência no governo seria uma manobra estratégica para manter sua influência e força política local.
Após concluir seu mandato, o governador, que possui altos índices de aprovação no Paraná, sinalizou a intenção de se afastar temporariamente da vida pública para se dedicar aos negócios da família no setor de comunicação, o que reforça as suspeitas de que sua decisão visa se proteger de um futuro político incerto.
Com a saída de um dos principais concorrentes, o xadrez do PSD se reconfigura. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, se reuniu com Gilberto Kassab em São Paulo e surge como o provável nome a ser anunciado pelo partido. Enquanto isso, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, se manifestou em suas redes sociais, reafirmando sua disposição para liderar um projeto que busque despolarizar o país. "Chega de ficarmos debatendo os desafetos. A gente precisa colocar a nossa energia em discutir os desafios do Brasil, que não são poucos", afirmou Leite em vídeo.
A desistência de Ratinho Júnior é vista por analistas como mais um sintoma da dificuldade de viabilizar uma alternativa competitiva à polarização que dominou as últimas eleições. A tendência é que os candidatos que se lançarem pela terceira via precisem, em algum momento, compor com um dos dois polos dominantes, seja no primeiro ou no segundo turno, para manter sua relevância no cenário político nacional.
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