A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentou seu relatório final com pedidos de indiciamento de mais de 200 pessoas. O documento, elaborado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar, reúne mais de 4.400 páginas e detalha suspeitas envolvendo aposentadorias, pensões e possíveis fraudes no sistema previdenciário.
A leitura do parecer teve início ainda pela manhã e segue em andamento no Congresso Nacional. Diante do volume do material, partes do relatório foram resumidas durante a apresentação para acelerar os trabalhos.
Entre os nomes citados estão empresários, ex-dirigentes do INSS, parlamentares e ex-ministros da Previdência. Um dos destaques é o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também aparecem na lista o empresário Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camila Antunes, conhecido como “careca do INSS”.
O relatório inclui ainda ex-presidentes do INSS, como Alessandro Stefanuto e Leonardo Rolim, além de ex-ministros da Previdência de diferentes governos, incluindo Carlos Luque e José Carlos Oliveira. Parlamentares também são mencionados, como os deputados federais Euclides Peterson e Maria Goretti Pereira, além do senador Everton Rocha.
Outro nome citado é o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, que também teve pedido de indiciamento apresentado pela comissão.
De acordo com o relator, o documento tem caráter técnico e busca evitar direcionamentos políticos, embora integrantes da base governista já tenham sinalizado a intenção de apresentar um relatório paralelo.
A conclusão dos trabalhos da CPMI ocorre após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou a prorrogação da comissão por 8 votos a 2. O entendimento da Corte foi de que cabe ao Congresso Nacional deliberar sobre o funcionamento da comissão, e não ao Judiciário.
Com isso, a CPMI tem prazo para encerrar suas atividades até o dia 28 de março. A votação do relatório final pode ocorrer no limite desse prazo ou ser transferida para uma sessão extraordinária, diante da possibilidade de pedidos de vista por parlamentares.
Apesar do encerramento antecipado, o relator afirmou que a comissão cumpriu seu papel ao reunir informações e apresentar um conjunto amplo de investigações. O relatório agora segue para análise dos parlamentares e pode embasar futuras ações do Ministério Público e de outros órgãos de controle.
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