
Crime organizado domina Amazônia
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A jornalista Sonia Blota alertou, no Jornal Gente desta sexta-feira (31), que o avanço do crime organizado na Amazônia ameaça a imagem do Brasil às vésperas da COP30, conferência do clima que será realizada em Belém, no Pará. Segundo a jornalista, o país tenta se apresentar ao mundo como exemplo de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável, mas enfrenta graves falhas na presença do Estado e no combate às facções criminosas que hoje controlam vastas áreas da floresta.
Com base em relatórios recentes de observadores internacionais, Sônia destacou que mais de 600 municípios — de um total de 980 que compõem a região amazônica — vivem sob o domínio de grupos armados e organizações criminosas. Isso equivale a quase 70% do território, abrangendo países como Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.
No território brasileiro, a presença mais marcante é a do Comando Vermelho, que domina parte da rota do Rio Solimões, a segunda maior via de escoamento de drogas do país. De acordo com estimativas mencionadas pela comentarista, o quilo da droga comprado na região por cerca de mil dólares é vendido na Europa por até 60 mil dólares. “A Amazônia se tornou um hub logístico do crime organizado”, afirmou.
Sonia Blota explicou que as atividades ilegais não se limitam ao tráfico de drogas. Facções atuam também na exploração sexual, grilagem de terras — inclusive em áreas indígenas —, mineração e extração ilegal de madeira, tráfico de animais e pesca predatória. “Hoje, um dos principais inimigos da Amazônia é o crime organizado”, alertou.
O tema, segundo ela, deve estar no centro dos debates da COP30, que começa em 10 de novembro. “Não é possível discutir preservação ambiental sem enfrentar o crime que destrói a floresta”, disse.
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