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STF decreta prisão preventiva de Bolsonaro após convocação de vigília

Bolsonaro é preso preventivamente por ordem de Alexandre de Moraes

Por Redação
REDAÇÃO

22/11/2025 • 09:29 • Atualizado em 22/11/2025 • 09:29

Bolsonaro em prisão domiciliar em Brasília

Bolsonaro em prisão domiciliar em Brasília

Diego Herculano/Reuters

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22) por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão foi motivada pela convocação de uma vigília feita por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpre medidas cautelares em Brasília. A manifestação, com viés religioso, foi interpretada como uma tentativa de desestabilização das medidas judiciais impostas anteriormente.

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Na decisão, Moraes alegou risco de fuga, tentativa de manipular apoiadores e possível obstrução da Justiça, citando inclusive a suspeita de que Bolsonaro teria tentado violar a tornozeleira eletrônica. O ministro também comparou a convocação da vigília ao "modus operandi de organização criminosa", alegando que o ato teria o objetivo de obter vantagens pessoais e tumultuar a aplicação da lei penal.

Durante o Jornal Gente, o advogado e colunista Emanuel Pessoa afirmou que a prisão preventiva é “mais uma das decisões controversas do STF” e que “a situação é mais política do que jurídica”. Para ele, “a convocação de uma vigília não representa, por si só, risco concreto”. Emanuel também apontou que Bolsonaro não foi denunciado no processo relacionado ao caso de Eduardo Bolsonaro e que as medidas cautelares deveriam, se aplicáveis, ser vinculadas ao processo do 8 de janeiro.

O comentarista Cláudio Zaidan lembrou que a medida não representa início de cumprimento de pena — Bolsonaro já foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento nos atos de 8 de janeiro, mas ainda aguarda a fase de execução penal. A prisão preventiva tem natureza cautelar e visa evitar distúrbios em função da mobilização pública convocada.

A movimentação da Polícia Federal começou por volta das 6h, sem registro de resistência. Bolsonaro foi levado à superintendência da PF, onde permanece em sala especial. A audiência de custódia está marcada para o meio-dia. A possibilidade de cumprimento de pena em prisão domiciliar ou em sala de Estado Maior está em discussão, dada a condição de saúde do ex-presidente e seu histórico como militar reformado.

Emanuel Pessoa destacou que uma fuga seria improvável e prejudicial ao próprio Bolsonaro, fragilizando seu capital político. Segundo ele, a expectativa da defesa é que Bolsonaro possa cumprir eventual pena de forma semelhante à de Lula no passado, ou sob regime domiciliar, como ocorreu com Fernando Collor.

A prisão teve forte repercussão política. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Hamilton Mourão se manifestaram em tom crítico nas redes sociais, apontando perseguição. O líder do PT na Câmara, Paulo Alcântara, defendeu a legalidade da medida, enquanto aliados bolsonaristas alegam cerceamento político.

A questão jurídica permanece sensível, com analistas divididos sobre a proporcionalidade da medida e o uso político de instrumentos judiciais. A situação reforça o clima de polarização no país e projeta desdobramentos relevantes para o ambiente institucional e para as eleições de 2026.

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