Um aumento repentino no número de casos de gripe, especialmente da influenza A, tem sido observado no Brasil desde o final de março, antes mesmo da chegada dos meses mais frios. Segundo o boletim InfoGripe, da Fiocruz, mais de 31 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) já foram notificados em 2026, com um impacto maior na região Centro-Sul do país.
Para explicar o fenômeno, o programa Bandeirantes Acontece conversou com o Dr. Marcelo Neubauer, médico infectologista. Segundo ele, o surto antecipado é causado por uma mutação no subtipo H3N2 do vírus influenza A, que o tornou mais contagioso. "O vírus da gripe é altamente mutagênico. Uma mutação pode torná-lo mais agressivo ou mais contagioso. Foi o que aconteceu", explicou o especialista.
Análise: por que a gripe aumenta no inverno?
Dr. Neubauer também desmistificou uma crença popular: a de que o aumento de casos de gripe no inverno está diretamente ligado ao frio. "Na verdade, nos meses mais frios, a gente se confina mais. Nos ônibus, em casa, fecha as janelas, e o vírus tem um ambiente melhor para ele se propagar", detalhou.
Diante disso, ele reforçou a importância de medidas de prevenção que se tornaram conhecidas durante a pandemia, como o uso de máscaras por pessoas com sintomas e a higienização constante das mãos.
Vacinação e diferenças entre gripe e resfriado
O médico tirou dúvidas importantes dos ouvintes. Ele esclareceu que a vacina da gripe disponível no SUS é trivalente e protege contra o H1N1 e também contra a nova variante do H3N2, embora esta possa, em alguns casos, "contornar" a proteção vacinal. A vacina, de dose única anual, é indicada prioritariamente para grupos de risco, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades.
Ele também explicou a diferença fundamental entre gripe e resfriado. Enquanto o resfriado tem sintomas concentrados nas vias aéreas superiores (coriza, espirros, dor de garganta), a gripe é uma doença sistêmica. "Na gripe, você sente mal-estar, dor no corpo, febre. O vírus está rodando pelo corpo", disse. Por fim, Dr. Neubauer alertou para os sinais de gravidade que exigem a busca por um serviço de saúde, como febre alta persistente e falta de ar, momentos em que o uso do antiviral oseltamivir pode ser indicado.
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