
Declaração do presidente americano sobre o conflito com o Irã
Kevin Lamarque/Reuters
Uma declaração do presidente americano, Donald Trump, de que a guerra contra o Irã estaria "praticamente concluída", trouxe um sopro de otimismo aos mercados globais nesta terça-feira, provocando um recuo de 8% no preço do barril de petróleo. Contudo, a visão otimista de Washington parece desconectada da crescente tensão militar no Oriente Médio, onde o conflito continua a se intensificar em múltiplas frentes.
A realidade no terreno é de escalada. Ataques com mísseis atingiram diversos países do Golfo, com um bombardeio a um prédio residencial no Bahrein deixando dois mortos e vários feridos. Enquanto isso, Israel prossegue com uma forte ofensiva no Líbano contra o Hezbollah. O ponto nevrálgico da crise econômica, o Estreito de Hormuz, permanece sob ameaça direta do Irã, que promete atacar navios que tentem cruzar a rota vital para 20% do abastecimento de petróleo mundial.
As declarações de outros líderes regionais também contradizem a avaliação de Trump. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que seus militares ainda necessitam de "algumas semanas" para alcançar os objetivos traçados. De forma ainda mais direta, a Guarda Revolucionária iraniana enviou um recado claro ao mundo: "a guerra só termina quando o Irã decidir".
A comunidade internacional se mobiliza para conter os danos. A França, que já enviou 19 navios ao Mediterrâneo, convocou uma reunião de emergência do G7 para discutir os impactos nos preços da energia. A proposta de liberar reservas estratégicas de petróleo foi debatida, mas a reunião terminou sem um acordo concreto. Nesse cenário de incerteza, a fala de Trump parece mais um desejo de acalmar a economia do que uma representação fiel de um conflito que, segundo seus principais atores, está longe de um desfecho.
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