
Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência
Adriano Machado/Reuters
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou o julgamento que analisa a suspensão da pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel, após pedido de vista apresentado pela ministra Estela Aranha. Com a interrupção da análise, permanece em vigor a decisão individual do presidente da Corte e relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão da divulgação do levantamento.
A pesquisa, divulgada em maio, apontou uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. O levantamento foi realizado após a repercussão de um áudio envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Pedido de vista interrompe julgamento
O julgamento começou com a apresentação do voto de Kassio Nunes Marques, que decidiu manter a suspensão da pesquisa. Segundo o ministro, existem indícios que justificam a continuidade da medida até que haja uma análise mais aprofundada dos procedimentos adotados pelo instituto.
A ministra Estela Aranha, no entanto, solicitou mais tempo para examinar o processo, interrompendo a deliberação do plenário. Ainda não há previsão para que o caso volte à pauta do TSE.
Até a retomada do julgamento, a decisão monocrática de Nunes Marques continua válida.
PL questiona metodologia da pesquisa
A ação que resultou na suspensão foi apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro. O Partido Liberal argumenta que o questionário utilizado pela AtlasIntel teria sido estruturado de forma a induzir respostas negativas em relação ao senador.
Segundo a legenda, a metodologia empregada pelo instituto teria criado uma narrativa acusatória ao relacionar a pesquisa ao conteúdo do áudio envolvendo Daniel Vorcaro, empresário que está no centro de investigações e permanece preso.
Para os representantes do PL, a forma de apresentação das informações poderia influenciar a percepção dos entrevistados e comprometer a imparcialidade do levantamento.
AtlasIntel defende legalidade do estudo
O instituto AtlasIntel nega qualquer irregularidade e afirma que a pesquisa seguiu critérios técnicos e metodológicos compatíveis com as normas eleitorais.
De acordo com a empresa, o áudio citado pela campanha não foi utilizado durante a coleta das intenções de voto. A AtlasIntel sustenta que o material foi apresentado apenas após o encerramento definitivo do questionário principal, quando as respostas sobre preferência eleitoral já haviam sido registradas.
O instituto também declarou confiar na análise do colegiado do TSE e acredita que a legalidade do levantamento será confirmada após a avaliação técnica do caso.
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