
Miopia ligada a excesso de telas
Reprodução
Um levantamento internacional acendeu um alerta sobre a saúde visual infantil: uma em cada três crianças no mundo tem miopia. Os dados foram publicados em um periódico científico britânico e analisam informações de crianças de 50 países. A projeção é ainda mais preocupante: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050, metade da população mundial será míope.
A miopia é um problema visual caracterizado pela dificuldade de enxergar com clareza objetos que estão à distância. A condição pode ter origem genética, mas fatores ambientais têm contribuído de forma decisiva para o aumento dos casos, especialmente entre crianças e adolescentes. Filhos de pais míopes, por exemplo, apresentam cerca de 30% mais chances de desenvolver o problema.
Especialistas apontam que hábitos cada vez mais comuns no dia a dia têm agravado o cenário. Leitura muito próxima dos olhos, uso excessivo de celulares, tablets e computadores, além de longos períodos em ambientes fechados, são fatores associados ao crescimento dos diagnósticos de miopia na infância. O avanço das telas, inclusive no contexto educacional, ampliou o tempo de exposição e exige atenção redobrada de pais e responsáveis.
Identificar precocemente os sinais da miopia é fundamental para evitar prejuízos ao desenvolvimento da criança. Entre os sintomas mais frequentes estão dores de cabeça recorrentes, olhos vermelhos, o hábito de esfregar os olhos com frequência e dificuldade para manter a atenção em objetos distantes. Crianças míopes também podem demonstrar desinteresse por atividades que exigem visão de longe, como acompanhar a lousa na sala de aula.
O impacto no aprendizado é um dos pontos que mais preocupam especialistas. Quando a criança não enxerga adequadamente, o rendimento escolar tende a cair, o que muitas vezes é confundido com desatenção ou falta de interesse. Em alguns casos, alunos passam a se levantar da carteira e se aproximar do quadro para tentar enxergar melhor, um sinal clássico de alteração visual.
Professores têm papel importante na identificação desses indícios. Em sala de aula, são frequentemente os primeiros a perceber mudanças no comportamento e no desempenho dos alunos. Oftalmologistas reforçam a necessidade de uma atuação conjunta entre família e escola para garantir o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
A oftalmologista Márcia Ferrari destaca que exames de rotina são essenciais, mesmo quando a criança não apresenta queixas claras. Segundo ela, muitas vezes os pequenos não conseguem perceber ou relatar que não estão enxergando bem, por nunca terem experimentado uma visão nítida. O acompanhamento médico permite corrigir o problema com óculos ou outras intervenções, reduzindo impactos no aprendizado e na qualidade de vida.
Diante da projeção de crescimento da miopia nas próximas décadas, especialistas defendem mudanças de hábito, como limitar o tempo de telas, incentivar pausas visuais e estimular atividades ao ar livre. O avanço do problema, especialmente entre crianças, reforça a importância da prevenção e do acompanhamento oftalmológico regular desde os primeiros anos de vida.
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