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Uso de cosméticos por crianças acende alerta após investigação na Itália

Médicos alertam para perigos que vão de alergias a alterações hormonais devido ao uso precoce de produtos de beleza, um mercado em plena expansão no Brasil.

Por Redação
REDAÇÃO

01/04/2026 • 08:36 • Atualizado em 01/04/2026 • 08:36

Uso de cosméticos por crianças

Uso de cosméticos por crianças

Freepik

A crescente popularização de cosméticos entre o público infantil, impulsionada por vídeos na internet e fortes investimentos da indústria, tem gerado um alerta significativo entre pais e especialistas da área da saúde. O que parece uma brincadeira inocente de imitar os adultos pode esconder perigos que vão desde reações alérgicas severas até o desenvolvimento de problemas hormonais graves. A preocupação é global: na Itália, a autoridade de concorrência, órgão semelhante ao Procon no Brasil, iniciou uma investigação contra grandes lojas por supostamente incentivarem o uso precoce e a compra compulsiva de produtos como máscaras faciais e cremes antienvelhecimento por crianças e adolescentes.

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No Brasil, o cenário não é diferente. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), os produtos de beleza voltados para crianças já ocupam o terceiro lugar no ranking dos mais consumidos no país. A este dado soma-se uma prática ainda mais preocupante: o uso, por crianças, de cosméticos fabricados para o público adulto. Foi o que aconteceu com Catarina, de 10 anos. Após ganhar maquiagens de adulto como presente de aniversário, a menina desenvolveu uma forte reação na pele. "Ela pegou uma alergia de pele bem grande, que a gente não sabia que era uma alergia na verdade, foi para o hospital, precisou fazer tratamento", relata sua mãe, a empresária Juliana Ferreira. Após o susto, a regra na casa mudou e agora apenas produtos infantis são permitidos, com preferência para marcas nacionais cujos rótulos são mais fáceis de compreender.

O caso de Catarina ilustra um dos riscos mais imediatos, mas os perigos podem ser ainda mais profundos e silenciosos. A dermatologista infantil Silvia Soto Major adverte que a pele das crianças é mais fina e sensível, absorvendo substâncias com mais facilidade. O perigo está em componentes presentes em muitos cosméticos adultos, como certos conservantes e fragrâncias. "Alguns produtos que esses cosméticos contêm podem acelerar a puberdade, podem alterar curvas de crescimento, uma série de danos que vai além dos danos especificamente sobre a pele", explica a especialista. Essas substâncias, conhecidas como disruptores endócrinos, podem interferir no sistema hormonal em um momento crucial do desenvolvimento infantil.

Diante desse quadro, a recomendação médica é clara e restritiva. Crianças devem se ater ao básico e ao que é especificamente formulado para elas: sabonete, shampoo e protetor solar próprios para a idade. O uso de desodorante, caso seja necessário, só é indicado a partir dos 8 anos de idade, e o produto também deve ser específico para essa faixa etária. Qualquer item fora dessa lista, especialmente maquiagens e cremes com apelos estéticos, deve ser evitado para garantir um desenvolvimento saudável e livre de riscos desnecessários.