
Vacina Dengue
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O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue após o registro de 42 casos de reações adversas graves entre mais de 500 mil doses aplicadas. O tema foi discutido durante entrevista concedida pelo infectologista Evaldo Stanislau à Rádio Bandeirantes, após a divulgação dos dados pelo governo federal.
Segundo o especialista, a interrupção temporária faz parte dos protocolos de segurança adotados para a análise de possíveis eventos adversos relacionados ao imunizante. Ele destacou que a vacina passou por todas as etapas exigidas de desenvolvimento e apresentou resultados positivos em estudos clínicos realizados antes de sua liberação.
Estudos apontaram eficácia e segurança
De acordo com Stanislau, os testes realizados durante a fase de desenvolvimento da vacina envolveram mais de 10 mil pessoas vacinadas e cerca de 6 mil participantes que receberam placebo.
Os estudos, publicados em revistas científicas especializadas, indicaram eficácia próxima de 90% na prevenção da doença, além de um perfil de segurança considerado adequado para aprovação regulatória.
O médico ressaltou que, durante a fase de testes clínicos, foram registrados apenas sete casos de reações adversas de maior complexidade, número considerado baixo diante do universo de participantes avaliados.
Investigação ocorre na fase de monitoramento pós-aprovação
Segundo o infectologista, a situação atual está inserida na chamada fase 4 de monitoramento, etapa em que o comportamento da vacina é acompanhado após o início da aplicação em larga escala na população.
Stanislau afirmou que a identificação dos casos demonstra o funcionamento dos sistemas de farmacovigilância responsáveis por monitorar a segurança dos imunizantes.
Dos 42 episódios registrados, três foram classificados como de maior gravidade. Dados preliminares também apontam dois óbitos que estão sendo investigados pelas autoridades sanitárias.
O especialista destacou que, apesar da gravidade dos eventos, os números representam uma parcela muito pequena em relação ao total de doses aplicadas.
Ministério busca identificar possíveis fatores de risco
A investigação conduzida pelo Ministério da Saúde pretende verificar se existe relação direta entre os casos registrados e a vacinação.
Entre os fatores que serão analisados estão condições de saúde preexistentes, uso de medicamentos capazes de comprometer a resposta imunológica e possíveis características genéticas dos pacientes afetados.
Stanislau explicou que a vacina utiliza vírus vivo atenuado, tecnologia que exige atenção especial em pessoas com imunodeficiência ou outras condições clínicas específicas.
Caso sejam identificados fatores de risco comuns entre os pacientes, as orientações de uso poderão ser atualizadas e novas contraindicações poderão ser incluídas na bula do imunizante.


