O vereador Senival Moura (PT), da cidade de São Paulo, foi preso nesta quinta-feira durante uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público que investiga um suposto esquema de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no sistema de transporte público da capital.
A ação é resultado de uma investigação iniciada em 2020, após o assassinato de Adalto Soares Jorge, então presidente da empresa de ônibus Transunião. Segundo os investigadores, a análise de dispositivos eletrônicos apreendidos com a vítima revelou indícios da existência de uma estrutura paralela de controle financeiro da companhia, com beneficiários que não apareciam formalmente nos registros da empresa.
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, Senival Moura teria atuado como articulador político do grupo investigado, fazendo a interlocução entre integrantes da organização criminosa PCC, representantes da empresa e agentes ligados ao poder público. O parlamentar nega qualquer participação em atividades criminosas.
Além da prisão do vereador, a operação cumpre mandados de busca e apreensão e outras ordens judiciais contra investigados. A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de quase R$ 200 milhões em contas bancárias, imóveis, veículos e embarcações vinculados aos suspeitos.
Durante as diligências, policiais apreenderam documentos, celulares e computadores que serão submetidos à perícia. Entre os materiais recolhidos está uma carta manuscrita com características semelhantes aos chamados “salves” atribuídos ao PCC. O documento menciona um suposto desvio de R$ 15 milhões relacionado à exploração da empresa investigada.
As autoridades também solicitaram o afastamento de dirigentes da Transunião e medidas para garantir a continuidade do serviço de transporte público. A Prefeitura de São Paulo foi comunicada pela Justiça e deverá avaliar uma intervenção temporária na empresa, medida semelhante à adotada em 2024 após investigações envolvendo outras companhias do setor.
O caso se soma a apurações recentes sobre a presença do crime organizado em empresas responsáveis pelo transporte coletivo na capital paulista. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os investigados terão direito à ampla defesa e ao contraditório ao longo do processo.
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