A União Europeia confirmou a suspensão da compra de carnes brasileiras, medida que passa a valer a partir de setembro e que pode provocar um prejuízo estimado em até US$ 2 bilhões por ano para os produtores nacionais.
A restrição inclui cortes de carne bovina, peixes e mel. Diante da decisão, o governo brasileiro já iniciou negociações diplomáticas para tentar reverter o veto antes do início da vigência da medida.
Segundo especialistas, embora a União Europeia represente uma parcela relativamente pequena do volume exportado pelo Brasil, o mercado europeu é um dos principais destinos de produtos de maior valor agregado, especialmente cortes nobres de carne bovina.
Questionamentos sobre uso de medicamentos
De acordo com a justificativa apresentada pelas autoridades europeias, o Brasil não teria conseguido comprovar adequadamente que determinados antibióticos e medicamentos utilizados no tratamento e prevenção de infecções em animais deixaram de ser empregados na cadeia produtiva.
O governo brasileiro proibiu o uso desses produtos em abril deste ano, mas, segundo a União Europeia, ainda faltam mecanismos de comprovação e rastreabilidade que garantam o cumprimento da medida.
A decisão levou o Brasil a intensificar o diálogo com autoridades europeias e discutir a implementação de novos mecanismos de controle e monitoramento da produção.
Impacto na imagem do setor
Especialistas alertam que a suspensão pode ultrapassar os efeitos comerciais diretos e atingir a imagem da carne brasileira em outros mercados internacionais.
Países como Japão e Coreia do Sul, que também importam cortes nobres do Brasil, costumam considerar padrões europeus como referência de qualidade sanitária e segurança alimentar.
Apesar disso, representantes do setor afirmam que não existem evidências científicas que coloquem em dúvida a qualidade da carne produzida no Brasil.
Pressão de produtores europeus
A decisão ocorre semanas após a ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia e em meio à pressão de produtores rurais europeus, especialmente franceses, que vinham realizando manifestações contra a ampliação da concorrência internacional.
A avaliação de especialistas é que o veto pode estar relacionado não apenas às exigências sanitárias, mas também às disputas comerciais e ao protecionismo adotado por setores da produção agropecuária europeia.
O Brasil terá os próximos três meses para tentar reverter a medida e demonstrar às autoridades europeias o cumprimento das exigências estabelecidas para a exportação de produtos agropecuários ao bloco.
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