
Daniel Vorcaro
Reprodução
A terceira fase da Operação Compliance Zero voltou a prender o banqueiro Daniel Vorcaro e intensificou a crise política em Brasília. A prisão foi determinada por decisão monocrática do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e será analisada pela Segunda Turma da Corte nos próximos dias.
A defesa tenta reverter a medida e pretende recorrer ao colegiado, presidido por Gilmar Mendes, que também conta com os ministros Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques e o próprio Mendonça.
Nos bastidores, há especulações sobre uma possível delação premiada. Segundo apurações divulgadas pela imprensa, interlocutores sondaram os advogados de Vorcaro para avaliar o grau de colaboração que ele estaria disposto a oferecer, hipótese que ainda não foi formalizada.
A decisão que autorizou a prisão menciona a existência de um núcleo chamado “turma”, descrito como estrutura de vigilância e coerção privada para obtenção ilegal de informações e intimidação de críticos. Mensagens extraídas do celular do banqueiro pela Polícia Federal revelariam supostas ameaças ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. A defesa afirma que as conversas são antigas e que não houve concretização das ameaças.
Outro ponto sensível envolve Luiz Felipe Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como prestador de serviços ao grupo investigado. Ele teria atentado contra a própria vida em cela da PF em Minas Gerais. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, determinou a abertura de inquérito para apurar o caso. Segundo a PF, toda a ação foi filmada, incluindo o socorro e o encaminhamento ao hospital.
As investigações também citam supostas relações de Vorcaro com autoridades e políticos. O senador Ciro Nogueira negou ter utilizado helicóptero do empresário e afirmou estar tranquilo quanto ao esclarecimento dos fatos. Já a assessoria de João Doria declarou que mensagens divulgadas indicariam apenas gesto cordial, sem relação com investigações.
Mensagens mencionam ainda encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e referências a ministros do STF, como Alexandre de Moraes. Não há, até o momento, comprovação de irregularidades por parte das autoridades citadas nas conversas.
Vorcaro foi transferido do presídio de Guarulhos para a penitenciária de Potim II, no interior de São Paulo. A Secretaria de Administração Penitenciária informou a mudança, mas não detalhou os motivos.
O caso segue em expansão, com novas mensagens e documentos sendo analisados por investigadores e parlamentares. A depender do avanço das apurações e do posicionamento do STF, a Operação Compliance Zero pode ganhar novos desdobramentos nos próximos dias.
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