
Copa do Mundo e gastronomia
Canva/ Divulgação
A Copa do Mundo ainda nem começou, mas por aqui nós já deixamos o México entrar em campo de outra forma: pela comida. Antes da bola rolar, um dos país-sede se apresenta ao mundo através de sua cultura, sua rua e, principalmente, sua gastronomia. Na série 'Copa do Mundo de Sabores' vamos explorar com você como conhecer um país apenas por uma mordida e, através do seu contexto histórico e a visão de chefs que vivem essa culinária no dia a dia.
México como destino
A culinária mexicana é uma das expressões mais potentes da relação entre comida, cultura e vida urbana, especialmente quando se observa sob a lente da Copa do Mundo. Um dos pratos mais simbólicos do país, os tacos, é profundamente ligado à identidade nacional do país.
À base de milho, eles estão no cotidiano mexicano. Tal qual as tortilhas que são quase o nosso feijão com arroz, e estão presentes muito antes da colonização espanhola. À frente da LosDos Cantina e da LosDos Taqueria, os chefs João Gertel e Caio Alciati apontam essa relação de forma direta em entrevista ao Band Receitas. “Os tacos são simples, fáceis de comer e populares. É uma comida de mão, democrática”, resumem.

Chefs Caio Alciati e João Gertel, do LosDos
Crédito: Helena Rubano
Comida como ponto de encontro
A relação entre gastronomia e Copa do Mundo se conectam por uma similaridade e, assim como o futebol, a comida também é um ponto de encontro. Até porque, todo mundo gosta de comer e grande parte da história do mundo está refletida na alimentação, destacam os chefs.
A comida deixa de ser apenas um acompanhamento e se torna parte do momento. Ela é coletiva, acontece na rua e faz com que você compartilhe. “Durante os jogos, as pessoas querem estar juntas, querem estar fora de casa”, observa Caio.
Mas a cozinha do país vai além dos tacos ou guacamole e quando olhamos mais atentamente para o país se olha para preparos como o mole. Aqui mora um dos tesouros nacionais, de origem pré-hispânica, o prato se transforma ao longo do tempo, incorporando influências e ingredientes diferentes.

Pratos da LosDos Taqueria
Crédito: Helena Rubano
“Estou querendo experimentar comida mexicana pela primeira vez, por onde começar?”
Para o Caio Alciati, uma das melhores opções de porta de entrada é o taco al pastor, um prato tradicional feito com carne de porco temperada com especiarias e marinada. A carne é assada em um espeto vertical e depois cortada em fatias, servidas em uma tortilha. Sua origem está ligada à imigração do Oriente Médio, que levou ao país a técnica de assar carne em espeto vertical.
Já para João Gertel, para quem quer se aventurar mais, uma ótima pedida seria um pato com molho pablano, um pato assado servido com um molho à base de pimenta poblano. Esse molho tem diversas variações regionais e de família. A base comum leva pimentas secas, especiarias, adicionando chocolate, nozes, canela e cominho.

Culinária e futebol
Durante muito tempo, a principal referência de comida mexicana no Brasil esteve associada ao chamado Tex-Mex, uma culinária adaptada e distante da cozinha tradicional. Isso muitas vezes, causa estranhamento. “Muita gente não sabia exatamente o que era um taco de verdade”, lembra João. Caio ainda reforça: “Hoje as pessoas chegam com muito mais curiosidade e abertas a experimentar sabores mais autênticos, sem tanta estranheza como antes.”
Comer deixou de ser apenas necessidade, se tornou uma maneira de conhecer outras partes do mundo. Não à toa, hoje muitos roteiros de viagem começam justamente pela gastronomia. A comida virou destino. O chef João Gertel resume de maneira simples:
Grande parte da história está refletida na alimentação.
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