
Chikungunya é transmitida pelo aedes aegypt, mas é diferente de dengue
Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo decisivo para o controle das arboviroses no Brasil nesta segunda-feira (4). O órgão autorizou a fabricação local da XCHIQ, a vacina contra a Chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. Com a decisão, o imunizante — que já possuía registro no país — passa a ter o Butantan como local oficial de produção, permitindo que o processo seja realizado em solo brasileiro.
Até então, as unidades da vacina eram provenientes de fábricas da Valneva no exterior. Agora, o Instituto Butantan está liberado para formular e envasar as doses em suas próprias instalações, mantendo os rigorosos padrões de qualidade e eficácia exigidos internacionalmente.
Essa nacionalização é estratégica: além de reduzir a dependência de importações, a produção local deve facilitar significativamente a logística de distribuição e a futura incorporação do imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso da população.
Indicações e restrições
A vacina XCHIQ, a primeira do mundo registrada contra a doença, é uma vacina recombinante atenuada. Confira as principais orientações:
Público-alvo: Pessoas de 18 a 59 anos que vivem ou frequentam áreas com risco aumentado de exposição ao vírus.
Contraindicações: O imunizante não deve ser aplicado em mulheres grávidas, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas.
O avanço da doença
A Chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da zika. Desde que chegou ao continente americano em 2013, o vírus se espalhou rapidamente. No Brasil, os primeiros casos foram detectados em 2014, na Bahia e no Amapá; hoje, a transmissão é registrada em todos os estados brasileiros.
Os números recentes acendem o alerta para a necessidade da vacinação. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o cenário em 2025 foi crítico:
No Brasil: Mais de 127 mil casos notificados e 125 mortes confirmadas.
No Mundo: Cerca de 620 mil pessoas foram acometidas pela doença globalmente.
A aprovação da produção nacional pelo Butantan representa uma ferramenta fundamental para evitar novos surtos e proteger a saúde pública diante de um vírus que pode causar dores articulares crônicas e graves limitações aos pacientes.

