Saúde

Anvisa autoriza produção nacional da vacina contra a chikungunya

Imunizante do Instituto Butantan teve o registro concedido pela Agência em 2025 e passará ser produzido no Brasil

Da redação
DA REDAÇÃO

04/05/2026 • 15:55 • Atualizado em 04/05/2026 • 15:55

Chikungunya é transmitida pelo aedes aegypt, mas é diferente de dengue

Chikungunya é transmitida pelo aedes aegypt, mas é diferente de dengue

Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo decisivo para o controle das arboviroses no Brasil nesta segunda-feira (4). O órgão autorizou a fabricação local da XCHIQ, a vacina contra a Chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. Com a decisão, o imunizante — que já possuía registro no país — passa a ter o Butantan como local oficial de produção, permitindo que o processo seja realizado em solo brasileiro.

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Até então, as unidades da vacina eram provenientes de fábricas da Valneva no exterior. Agora, o Instituto Butantan está liberado para formular e envasar as doses em suas próprias instalações, mantendo os rigorosos padrões de qualidade e eficácia exigidos internacionalmente.

Essa nacionalização é estratégica: além de reduzir a dependência de importações, a produção local deve facilitar significativamente a logística de distribuição e a futura incorporação do imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso da população.

Indicações e restrições

A vacina XCHIQ, a primeira do mundo registrada contra a doença, é uma vacina recombinante atenuada. Confira as principais orientações:

Público-alvo: Pessoas de 18 a 59 anos que vivem ou frequentam áreas com risco aumentado de exposição ao vírus.

Contraindicações: O imunizante não deve ser aplicado em mulheres grávidas, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas.

O avanço da doença

A Chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da zika. Desde que chegou ao continente americano em 2013, o vírus se espalhou rapidamente. No Brasil, os primeiros casos foram detectados em 2014, na Bahia e no Amapá; hoje, a transmissão é registrada em todos os estados brasileiros.

Os números recentes acendem o alerta para a necessidade da vacinação. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o cenário em 2025 foi crítico:

No Brasil: Mais de 127 mil casos notificados e 125 mortes confirmadas.

No Mundo: Cerca de 620 mil pessoas foram acometidas pela doença globalmente.

A aprovação da produção nacional pelo Butantan representa uma ferramenta fundamental para evitar novos surtos e proteger a saúde pública diante de um vírus que pode causar dores articulares crônicas e graves limitações aos pacientes.