
Fãs repararam na aparência da cantora Ariana Grande
Reprodução/Youtube/Ariana Grande
A cantora norte-americana Ariana Grande anunciou um afastamento temporário dos holofotes após virar centro de debates e comentários nas redes sociais sobre sua aparência física. Fãs e internautas passaram a levantar hipóteses sobre uma perda de peso acentuada, classificando a artista como "magra demais". A situação ficou particularmente intensa com a divulgação do videoclipe da canção “Petal”, no qual internautas apontaram que era possível ver os ossos da cantora.
A internet foi tomada sobre rumores a respeito de usos de medicamentos e distúrbios alimentares, nenhum deles com qualquer respaldo para além da especulação. Entretanto, a busca excessiva pelo emagrecimento e o surgimento de quadros de magreza extrema acendem um alerta entre profissionais de saúde.
O episódio recoloca no centro do debate público como a perda rápida e expressiva de peso é percebida e as razões médicas que podem estar por trás desse processo.
"Como as redes sociais, a mídia e até as pessoas ao nosso redor costumam valorizar cada vez mais o emagrecimento, muitas pessoas demoram a perceber que a perda de peso deixou de ser saudável", afirma o nutrólogo Rubem Regoto em entrevista ao Band.com.br.
Segundo a análise do especialista, um emagrecimento acentuado pode estar associado a uma série de fatores complexos que vão muito além da estética.
"Na verdade, um emagrecimento importante pode estar relacionado a diversas condições de saúde, tanto físicas quanto mentais, como estresse intenso, transtornos hormonais graves e uso abusivo de medicações", explica Regoto.
Ele acrescenta que, em decorrência desses transtornos e dos seus impactos no corpo e na mente, cresce a busca por atendimento médico, muitas vezes motivada pela intervenção e preocupação de amigos e familiares.
Abordagem multidisciplinar e o impacto da pressão estética
O tratamento para casos de emagrecimento severo e transtornos associados exige uma visão ampla, uma vez que a intervenção alimentar isolada costuma ser insuficiente. "Nem sempre. Quando existem fatores emocionais, hormonais ou metabólicos envolvidos, a alimentação é apenas uma parte do tratamento", pontua o médico.
A recuperação da saúde do paciente depende, em geral, de um acompanhamento multidisciplinar.
Conforme detalha o nutrólogo, pode ser necessária a atuação conjunta de equipes médicas, nutricionais, psicológicas e neuropsiquiátricas, aliada à prescrição farmacológica quando houver indicação.
"Atualmente, também dispomos de tecnologias e técnicas que ajudam a reduzir a necessidade de medicamentos, aceleram os resultados e facilitam a reorganização dos circuitos cerebrais envolvidos no processamento das informações e das emoções", observa.
Entre esses avanços, ele cita a biomodulação cerebral por ondas, técnica realizada em consultório que busca reestruturar essas conexões por meio de equipamentos específicos e respaldo científico.
O impacto das cobranças sociais e do ambiente digital também desempenha um papel determinante no agravamento de quadros de vulnerabilidade física e emocional.
O especialista reforça que a pressão psicológica afeta diretamente o estado dos pacientes. "Pessoas mais vulneráveis, inclusive aquelas que ainda não perceberam que precisam de ajuda, podem apresentar piora dos sintomas quando convivem com críticas, cobranças ou comentários constantes sobre o corpo", ressalta Rubem Regoto.
Para prevenir o agravamento dos quadros, o médico orienta que a postura de quem está ao redor deve ser pautada pelo acolhimento em vez da constante vigilância ou julgamento.
"Se existe alguém próximo de você que possa estar precisando de ajuda, o mais importante é oferecer apoio antes de fazer críticas. O apoio aproxima; a crítica afasta", conclui o profissional, recomendando que a percepção de alterações bruscas de peso ou sofrimento em relação à imagem corporal sirva de sinal para a busca por auxílio especializado.

