Saúde

Caso Ariana Grande: como críticas por aparência impactam saúde mental

Cantora deixa produção teatral e planeja afastamento dos holofotes; psiquiatra analisa os impactos da pressão estética

Guilherme Machado
GUILHERME MACHADO

03/08/2026 • 11:54 • Atualizado em 03/08/2026 • 11:54

Fãs repararam na aparência da cantora Ariana Grande

Fãs repararam na aparência da cantora Ariana Grande

Reprodução/Youtube/Ariana Grande

A cantora e atriz Ariana Grande anunciou que vai se afastar temporariamente dos holofotes e deixar uma produção de teatro após ser alvo de uma onda de ataques e comentários sobre sua aparência física nas redes sociais. A situação .atingiu o ápice com o lançamento do vídeo da canção “Petal”, no qual fãs destacaram que a artista estaria magra demais. A decisão da artista expõe os limites do impacto emocional causado pelo julgamento público contínuo e acende um alerta sobre a preservação da saúde mental.

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A constante exposição e a cobrança estética exigida de figuras públicas geram consequências profundas no bem-estar psicológico. Em análise sobre o tema, a psiquiatra Roberta França explica como a pressão estética contínua afeta o indivíduo.

“A pressão constante pela aparência pode comprometer profundamente a saúde mental de qualquer pessoa. Quando alguém passa a ser julgado repetidamente pelo corpo, pelo peso ou pela imagem, pode desenvolver sentimentos de inadequação, baixa autoestima, ansiedade e vergonha, o que gera um enorme sofrimento emocional”, ressalta ela em entrevista ao Band.com.br.

A médica ressalta que a agressão raramente decorre de um fato isolado, mas sim do acúmulo de críticas públicas.

"Não é um comentário isolado que costuma adoecer alguém. O grande problema é a exposição contínua, repetitiva e pública a críticas, julgamentos e cobranças", afirma Roberta França.

Em quadros de maior vulnerabilidade, a médica alerta que essa rotina pode evoluir para diagnósticos graves, como ansiedade, depressão, transtornos alimentares e o transtorno dismórfico corporal, condição na qual a pessoa passa a enxergar a própria imagem de forma distorcida da realidade.

O impacto da pressão pública na saúde mental

A rotina de celebridades e artistas envolve uma sobrecarga de exigências que se intensificou com a presença ostensiva nas redes digitais. Para Roberta França, a dinâmica de vigilância permanente impõe um fardo psicológico para o qual o organismo não possui preparação natural.

"Os artistas vivem uma realidade muito diferente da maioria das pessoas. Existe uma cobrança constante por desempenho, além de uma vigilância permanente, principalmente nas redes sociais, sobre a aparência, o comportamento e a vida pessoal", pontua a médica. Roberta França destaca que essa superexposição gera estresse crônico e um estado contínuo de alerta.

“O cérebro humano não foi preparado para lidar com milhares de opiniões diariamente. Isso pode gerar estresse crônico, sensação de hipervigilância, a impressão de que nunca se é suficiente, isolamento emocional e muita dificuldade para separar a identidade pessoal da figura pública”, enfatiza a especialista.

Diante desse cenário, o afastamento temporário dos holofotes surge como uma alternativa de proteção emocional para os profissionais do entretenimento. Segundo a psiquiatra, a medida permite reestruturar a rotina, embora exija também suporte técnico contínuo.

"Em muitos casos, um período de afastamento pode, sim, ser uma medida saudável. Ao reduzir a exposição, a pessoa diminui a sobrecarga emocional, recupera parte da privacidade e ganha espaço para se reorganizar emocionalmente", avalia.

Além do hiato, o tratamento adequado para casos de sofrimento psicológico envolve psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico quando indicado e o fortalecimento de redes de apoio genuínas. A adoção de hábitos regulares, como sono adequado, exercícios físicos e a imposição de limites no gerenciamento das redes sociais, também compõe o conjunto de recomendações médicas para a manutenção do equilíbrio emocional.