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Cannabis na medicina veterinária traz avanços terapêuticos em pets e gado

Médico-veterinário explica como o sistema endocanabinoide atua no tratamento de dor, epilepsia e apoio paliativo em animais de companhia

Guilherme Machado
GUILHERME MACHADO

01/08/2026 • 07:00 • Atualizado em 01/08/2026 • 07:00

Cannabis pode ajudar a tratar epilepsia em pets

Cannabis pode ajudar a tratar epilepsia em pets

Unsplash

A aplicação da cannabis na medicina veterinária consolida-se como um recurso terapêutico, impulsionada por avanços regulatórios e pelo interesse de tutores e profissionais da área. O médico-veterinário Bruno Perozzo, integrante da comissão científica da ExpoCannabis e membro do grupo técnico de endocanabinoide do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), detalha que o tratamento com fitocanabinoides atende principalmente animais de companhia, como cães e gatos.

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De acordo com o especialista, o uso em pets auxilia em diversas patologias. "Pensando em animais de companhia, em pets como cães e gatos, podemos tratar determinados distúrbios, principalmente neoplasias, problemas comportamentais, dor crônica e epilepsia", explica Perozzo em entrevista ao Band.com.br.

A ação dos componentes no organismo animal ocorre por meio do sistema endocanabinoide, presente em todos os vertebrados.

Perozzo destaca o funcionamento bioquímico desse mecanismo no organismo: "O sistema endocanabinoide é conhecido como o 'maestro' da bioquímica do organismo. Temos receptores no corpo que, ao entrarem em contato com canabinoides ou fitocanabinoides, se encaixam e desencadeiam suas funções. A diferença é determinada basicamente pelas especificidades de cada espécie".

As particularidades biológicas exigem cuidados distintos nas prescrições. Felinos necessitam de fórmulas específicas devido a limitações metabólicas, enquanto os cães exigem a introdução gradativa do tetrahidrocanabinol (THC).

"Os cães possuem uma densidade muito maior de receptores no tronco encefálico, o que exige que o THC seja introduzido de maneira muito mais gradativa para evitar efeitos colaterais", orienta o veterinário.

Manejo Paliativo, Produção Animal e Cenário Regulatório no Brasil

Além de atuar no alívio de quadros graves e na redução do uso de alopáticos tradicionais — como na epilepsia refratária —, a substância desempenha papel relevante na medicina paliativa.

"Da mesma forma que buscamos a qualidade de vida, mencionamos a qualidade de morte, que consiste em trazer mais dignidade ao fim da vida desses animais. A cannabis entra muito bem nesse contexto", ressalta o especialista. Ele reforça que o óleo não substitui diagnósticos e tratamentos, mas representa "uma ferramenta terapêutica a mais no arsenal" médico.

Para animais de produção, a aplicação nutricional e terapêutica via alimento volumoso apresenta potencial para frangos de corte, com melhoria da qualidade óssea. Contudo, a adoção no setor produtivo enfrenta entraves técnicos, visto que resíduos de compostos como o THC podem permanecer na carcaça ou no leite, restringindo o uso corrente desse manejo nas fazendas.

O avanço na rotina clínica dos pets é respaldo pelas atualizações normativas no país. A regulamentação do uso medicinal da cannabis no Brasil é conduzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Na medicina humana, pacientes cadastrados acessam produtos importados ou farmácias mediante receituário especial controlada, enquanto o cultivo individual permanece restrito a decisões judiciais via habeas corpus.

Para a medicina veterinária, a aprovação de resoluções da Anvisa autoriza médicos-veterinários habilitados pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) a prescreverem produtos canabinoides registrados para uso humano e veterinário.

Com as diretrizes de controle sanitário estabelecidas, o acesso aos tratamentos em hospitais e clínicas veterinárias torna-se acessível por meio da condução de profissionais capacitados.

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