Saúde

Brasil bate recorde de transplantes, mas falta de doadores limita avanços

País superou 31 mil procedimentos em 2025; no Google, buscas pelo tema cresceram 30% na última década

Amanda Caroline
AMANDA CAROLINE

01/06/2026 • 10:00 • Atualizado em 02/06/2026 • 11:47

O Brasil alcançou um recorde histórico ao realizar mais de 31 mil transplantes de órgãos em 2025.

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Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o avanço é atribuído, principalmente, ao fortalecimento da logística nacional e à ampliação do acesso aos pacientes. No mesmo ano, o Governo Federal investiu R$ 1,5 bilhão no Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Entre os procedimentos mais realizados no país no ano do recorde, o transplante de córnea lidera com 17.790 cirurgias. Na sequência, aparecem os transplantes de rim (6.697), medula óssea (3.993), fígado (2.573) e coração (427).

Segundo monitoramento da Sala Digital, o interesse de buscas dos brasileiros por “transplante de órgãos” cresceu no Google. A média dos últimos dez anos teve um aumento de 30% em comparação com a média dos dez anos anteriores.

O levantamento também identificou as perguntas em alta sobre transplante de órgãos do último ano; entre elas, questões fundamentais sobre as etapas do procedimento no coração.

Abaixo, a Sala Digital responde às dúvidas:

Como funciona a fila do transplante?

Transplante de órgãos (Foto: Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal)

Transplante de órgãos (Foto: Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal)

“Fila de transplante” é um dos termos em alta no Google, o que reflete o interesse dos brasileiros para saber como funciona o processo. A fila de transplantes no Brasil funciona como uma lista de espera única e nacional, gerenciada pelo SNT para garantir equidade.

O ingresso ocorre quando o paciente é encaminhado a um estabelecimento de saúde habilitado, passa por uma avaliação de equipe médica especializada e realiza exames específicos.

Após a confirmação da necessidade, a equipe inscreve o paciente no sistema com suas características clínicas e o perfil do doador compatível. A lista é dinâmica e não funciona por ordem de chegada. A seleção do receptor se baseia em critérios técnicos como compatibilidade genética, tipo sanguíneo, gravidade do quadro clínico e distância geográfica.

45% das famílias brasileiras não autorizam a doação de órgãos

Apesar da modernização, a recusa familiar ainda é o grande desafio do sistema. De acordo com o Ministério da saúde, 45% das famílias não autorizam a doação de órgãos, o que limita o potencial da medicina de salvar vidas.

Hoje, quase 49 mil pessoas estão na lista de transplante de órgão no Brasil, sendo que mais de 45 mil delas esperam receber um rim. Em seguida, aparecem os transplantes de rim e coração.

A fila para o transplante de córnea, que não é considerada um órgão independente, mas um tecido vivo, passa de 36.500 pessoas.

“A medicina está avançada, o nosso problema é a fila”

O representante comercial Gilberto Bueno, de 51 anos, que passou por um transplante de coração em 2022, sabe o quanto é importante que o país reverta essa resistência.

Na adolescência, aos 13, ele foi diagnosticado com cardiomiopatia hipertrófica, uma condição genética que provoca o espessamento anormal das paredes musculares do coração e dificulta o funcionamento normal do órgão. Ao longo dos anos, Bueno enfrentou uma piora gradual da doença, que culminou em um episódio grave em 2021.

“Tive uma morte súbita em casa que foi abortada. Conseguimos chegar a tempo no hospital e fizeram uma reversão cardíaca. Os batimentos voltaram ao normal, mas meu coração foi piorando”, relembra Bueno em entrevista à Sala Digital.

Em agosto de 2022, ele foi internado e ingressou na lista de espera. O órgão compatível chegou dois meses depois: um doador masculino, de 39 anos, da cidade de São Paulo (SP).

Gilberto Bueno, de 51 anos, passou por transplante de coração em 2022 (Fotos: Contribuição/Gilberto Bueno)

Gilberto Bueno, de 51 anos, passou por transplante de coração em 2022 (Fotos: Contribuição/Gilberto Bueno)

Hoje, ele mantém uma rotina ativa e reforça a necessidade de conscientização sobre o tema.

“A medicina está superavançada, mas nosso problema é a lista de transplante. A fila de transplante está muito grande. Então, o ideal é que você doe órgãos. Vai ajudar muita gente", afirma o representante comercial.

Quanto custa um transplante de coração?

Outra dúvida frequente monitorada pela Sala Digital diz respeito aos custos dos procedimentos. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece assistência integral e totalmente gratuita para transplantes de coração e de qualquer outro órgão.

Atualmente, o SUS financia cerca de 86% dos transplantes que ocorrem no Brasil, garantindo assistência integral e gratuita, desde os exames preparatórios até os medicamentos imunossupressores para o pós-cirurgia.

Quem foi o primeiro médico a realizar um transplante de coração no Brasil?

O cirurgião Euryclides de Jesus Zerbini foi o primeiro médico a realizar um transplante de coração no Brasil. Ele liderou a equipe responsável pelo procedimento em 26 de maio de 1968, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

O transplante, que também foi o primeiro da América Latina, teve como receptor um paciente de 23 anos: João Ferreira da Cunha, do Mato Grosso do Sul, que era conhecido como “João Boiadeiro”. O procedimento contou com a colaboração direta de outros jovens médicos da época, como Euclydes Marques e Noedir Stolf.

João Boiadeiro morreu 28 dias após a cirurgia.

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