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O desejo por dentes mais brancos tem impulsionado a busca por soluções rápidas e acessíveis, como fitas clareadoras vendidas pela internet e redes sociais. Embora alguns produtos sejam considerados seguros quando regularizados e usados corretamente, o clareamento dental caseiro sem acompanhamento profissional pode trazer riscos à saúde bucal — especialmente quando envolve itens sem autorização sanitária.
O tema ganhou destaque após a Anvisa determinar a proibição e apreensão da fita 9D White Teeth Whitening Strips, produto importado e comercializado no Brasil sem registro e por uma empresa sem autorização de funcionamento. A decisão reacendeu o debate sobre os limites e perigos do clareamento feito fora do consultório odontológico.
Como funcionam as fitas clareadoras
As fitas clareadoras utilizam, em geral, peróxido de hidrogênio ou peróxido de carbamida, substâncias capazes de penetrar no esmalte e na dentina para quebrar pigmentos responsáveis pelo escurecimento dos dentes. Em produtos regularizados, as concentrações costumam variar entre 5% e 10%, consideradas seguras quando respeitado o tempo de uso indicado.
Entidades internacionais, como a American Dental Association (ADA) e a Mayo Clinic, reconhecem que fitas de venda livre podem ser eficazes para clareamentos leves, desde que tenham certificação e sejam utilizadas corretamente. Ainda assim, os próprios órgãos ressaltam que os resultados não são permanentes e que o acompanhamento profissional reduz riscos.
Principais riscos do clareamento caseiro
Entre os efeitos adversos mais relatados estão:
- Hipersensibilidade dentária, que pode atingir até 40% dos usuários, segundo estudos revisados
- Irritação ou queimadura química na gengiva, causada pelo contato do gel clareador com tecidos moles
- Desgaste do esmalte dentário, especialmente em usos repetidos ou prolongados
- Agravação de problemas pré-existentes, como cáries, trincas ou retração gengival
Embora muitos desses efeitos sejam reversíveis após a interrupção do uso, especialistas alertam que o clareamento sem avaliação prévia pode mascarar doenças bucais ou causar danos cumulativos.
O problema dos produtos sem registro
O caso da fita 9D White, proibida pela Anvisa, evidencia um ponto crítico: a procedência do produto. Segundo o órgão, o item não passou por avaliação técnica de segurança, eficácia ou qualidade, além de ter sido comercializado por uma empresa sem autorização sanitária.
Produtos irregulares podem conter concentrações inadequadas de agentes químicos, ausência de instruções confiáveis ou até substâncias não declaradas, elevando o risco de lesões bucais. A Anvisa também proibiu a propaganda, distribuição, transporte e uso do produto em todo o território nacional.
Falta de estudos de longo prazo preocupa especialistas
Apesar do uso disseminado das fitas clareadoras, ainda há lacunas científicas importantes. Não existem estudos conclusivos de longo prazo — superiores a 10 anos — que avaliem os impactos do uso frequente e sem supervisão profissional na estrutura interna do dente, especialmente na polpa dentária.
Esse vácuo de informação reforça a recomendação de cautela e de avaliação individual antes de qualquer procedimento estético bucal.
Orientação profissional ainda é o caminho mais seguro
Dentistas destacam que o clareamento realizado sob supervisão permite o uso de barreiras gengivais, ajuste da concentração do agente clareador e identificação prévia de contraindicações. Além disso, o profissional pode indicar alternativas mais seguras ou personalizadas para cada paciente.
Enquanto a busca por soluções rápidas cresce, autoridades sanitárias e entidades odontológicas reforçam que, quando o assunto é saúde bucal, o barato pode sair caro — especialmente diante da proliferação de produtos sem controle no mercado digital.

