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O climatério é uma etapa natural da vida feminina, mas ainda cercada de dúvidas e informações imprecisas. Frequentemente confundido com a menopausa, ele representa, na verdade, um processo mais amplo de transição biológica, marcado pela redução progressiva da produção de hormônios ovarianos — especialmente o estrogênio — e pela passagem do período reprodutivo para o não reprodutivo.
De acordo com o Ministério da Saúde, o climatério não é um evento pontual, mas uma fase que pode se estender por vários anos. Em geral, tem início por volta dos 40 anos, embora possa começar antes ou depois, e segue até a senescência. Nesse intervalo, o organismo feminino passa por adaptações hormonais que impactam diferentes sistemas do corpo.
A menopausa, muitas vezes usada como sinônimo de climatério, é apenas um marco dentro desse processo. Do ponto de vista clínico, ela é definida de forma retrospectiva, após 12 meses consecutivos sem menstruação, sem outra causa patológica identificável. Já o climatério engloba todo o caminho até esse ponto e também o período posterior.
Especialistas dividem essa transição em três etapas principais. A primeira é a pré-menopausa ou perimenopausa, quando os níveis hormonais começam a oscilar e os ciclos menstruais se tornam irregulares. É nessa fase que costumam surgir os primeiros sintomas, como ondas de calor, alterações no sono, mudanças de humor e variações no fluxo menstrual. Em seguida vem a menopausa propriamente dita, caracterizada pela última menstruação. Por fim, a pós-menopausa corresponde ao período posterior, quando os níveis hormonais permanecem baixos de forma estável.
A Organização Mundial da Saúde destaca que o climatério é uma experiência biológica universal, mas vivenciada de forma muito diferente entre as mulheres. Enquanto algumas atravessam essa fase com sintomas leves ou quase imperceptíveis, outras enfrentam impactos significativos na qualidade de vida, incluindo fogachos intensos, sudorese noturna, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações metabólicas.
Outro ponto relevante é a duração do climatério, que não segue um padrão rígido. Segundo instituições de saúde internacionais, esse processo pode durar poucos anos ou se estender por mais de uma década, dependendo de fatores genéticos, estilo de vida, condições de saúde e acesso a acompanhamento médico.
Apesar de ser uma fase natural, o climatério exige atenção. A queda hormonal pode influenciar a saúde óssea, cardiovascular e emocional, tornando fundamental o acompanhamento com profissionais de saúde para avaliação individualizada, orientação e, quando necessário, tratamento dos sintomas.
A ampliação do debate sobre o climatério também tem papel importante no combate à desinformação. Compreender que a menopausa é apenas uma parte do processo ajuda a reduzir estigmas, promover o autocuidado e incentivar políticas públicas voltadas à saúde da mulher em todas as fases da vida.

