Saúde

Conheça os alimentos campeões em quebrar dentes; como agir em emergências

Castanhas, gelo, pipoca e balas duras estão entre os principais vilões; especialista explica riscos e tratamentos

Da redação
DA REDAÇÃO

10/08/2026 • 10:11 • Atualizado em 10/08/2026 • 10:11

Brasil teve 1,65 milhão de casos de traumatismos dentários entre 2014 e 2023

Brasil teve 1,65 milhão de casos de traumatismos dentários entre 2014 e 2023

Reprodução/CROSP

Morder uma castanha, mastigar um grão de pipoca que não estourou ou triturar gelo são hábitos comuns, mas que escondem riscos reais para a saúde bucal. Dependendo da condição do dente, essas atitudes aparentemente inofensivas podem causar trincas e fraturas graves.

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Dados da revista científica Arquivos em Odontologia, da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (FO-UFMG), apontam que o Brasil registrou mais de 1,65 milhão de casos de traumatismos dentários entre 2014 e 2023. Embora não haja um recorte estatístico exclusivo para acidentes durante as refeições, cirurgiões-dentistas confirmam que a fratura ao mastigar é uma das ocorrências mais rotineiras nos consultórios.

O dente não quebra "do nada"

De acordo com o Dr. Fernando Igai, presidente da Câmara Técnica de Prótese Dentária do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), a ruptura raramente é provocada apenas pela força da mordida em um dente saudável. Na maioria das vezes, o alimento funciona como o estopim de uma fragilidade pré-existente.

"Um dos principais fatores que enfraquecem a estrutura dentária é a perda de massa causada por cáries, restaurações muito extensas ou tratamentos de canal realizados em dentes com pouco remanescente. Nessas condições, o risco de fratura aumenta significativamente", alerta o especialista.

Outro ponto de atenção envolve os hábitos alimentares diários e as variações bruscas de temperatura. "Alimentos excessivamente rígidos ou o choque térmico — como ingerir algo muito quente logo após consumir um item gelado — também geram microtrincas que favorecem a quebra", complementa.

Principais alimentos de risco

  • Milho de pipoca (especialmente os grãos não estourados)
  • Gelo
  • Castanhas e nozes
  • Balas duras e confeitos
  • Torresmo
  • Ossos de carnes e pedaços rígidos de alimento

O dente quebrou: o que fazer?

Ao notar qualquer trinca, fratura ou incômodo após mastigar, a orientação imediata é procurar um cirurgião-dentista. O profissional realizará o exame clínico e radiográfico para medir a extensão do dano e determinar a conduta terapêutica.

A escolha do procedimento varia conforme a gravidade da lesão:

  • Casos leves: Pequenas trincas ou superfícies lascadas costumam ser resolvidas com restaurações estéticas em resina.
  • Casos moderados: Quando a estrutura é comprometida em maior proporção, pode ser necessário realizar o tratamento de canal (endodontia) seguido da confecção de uma coroa protética.
  • Casos severos: Quando a fratura atinge a raiz de forma irreversível e o dente não pode ser salvo, a indicação é a extração, acompanhada da instalação de um implante e prótese.

Consequências além da estética

A perda ou quebra de um dente traz impactos que vão muito além do sorriso visualmente comprometido. A ausência da estrutura dentária correta afeta diretamente a eficiência mastigatória e o equilíbrio de toda a cavidade oral.

"Quando a pessoa perde a capacidade de mastigar adequadamente ou acumula múltiplos elementos fraturados, ocorre a perda da dimensão vertical da boca. Isso desencadeia problemas musculares na face, dor de cabeça e disfunções na articulação temporomandibular (ATM)", conclui o Dr. Fernando Igai.

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