
Sucos “detox” não têm comprovação científica para eliminar toxinas
Rohtopia/Pixabay/Governo de São Paulo
Sucos com abacaxi, couve e gengibre ou combinações com pepino, maçã e água de coco ganharam fama como “detox”, associados à promessa de limpar o organismo. Mas a ciência não sustenta essa ideia, segundo especialista da Universidade de São Paulo (USP).
A nutricionista Patrícia Campos Ferraz, da Faculdade de Saúde Pública da USP, afirma que o conceito de desintoxicação por alimentos é impreciso. “O corpo já possui sistemas altamente eficientes de desintoxicação, principalmente fígado, rins, intestino e pele”, diz.
Esses órgãos atuam continuamente na eliminação de substâncias potencialmente tóxicas, sem necessidade de dietas específicas. Segundo a pesquisadora, não há evidência científica robusta de que dietas detox promovam a eliminação de toxinas além do que o organismo já faz naturalmente.
Por isso, a prática é vista com cautela pela comunidade científica e frequentemente classificada como modismo com forte apelo comercial.
Falta de evidência e possíveis riscos
A maioria dos estudos sobre o tema apresenta limitações metodológicas, como amostras pequenas e baixa qualidade. Na prática, os efeitos percebidos por quem adere ao detox costumam estar ligados à restrição calórica e à perda de líquidos --e não à eliminação de toxinas.
A perda de peso tende a ser temporária, seguida de recuperação posterior, o que torna a estratégia ineficaz no longo prazo. Além disso, dietas muito restritivas podem causar deficiências nutricionais, perda de massa muscular, hipoglicemia e tontura, além de alterações eletrolíticas.
Há ainda o risco de episódios de compulsão alimentar após o fim da dieta e até de atraso no diagnóstico de doenças, ao criar uma falsa sensação de “limpeza” do organismo.
O que realmente faz diferença
Apesar da falta de comprovação do detox, a nutricionista ressalta que alguns efeitos positivos relatados por adeptos dessas dietas vêm, na verdade, de mudanças alimentares mais amplas.
O aumento do consumo de frutas e vegetais e a redução de ultraprocessados têm forte evidência científica de benefícios à saúde metabólica. Esses hábitos, aliados a boa hidratação, sono adequado e prática regular de atividade física, são as estratégias recomendadas.
Para pessoas saudáveis, não há indicação clínica formal para dietas detox. O consenso científico é que um padrão alimentar equilibrado é suficiente para apoiar os mecanismos naturais do corpo, sem necessidade de restrições ou modismos.

