Saúde

Estudo alerta para relação da dengue com a Síndrome de Guillain-Barré

Estudo foi feito por pesquisadores da Fiocruz Bahia

Da redação
DA REDAÇÃO

16/04/2026 • 15:28 • Atualizado em 16/04/2026 • 15:28

Síndrome de Guillain-Barré

Síndrome de Guillain-Barré

nuzeee/Pixabay

Resumo

Estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz Bahia (Fiocruz) em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres revela que pessoas infectadas pelo vírus da dengue têm risco 17 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) nas seis semanas após a infecção, sendo esse risco ainda mais elevado nas duas primeiras semanas, podendo chegar a 30 vezes.

Pesquisadores analisaram grandes bases de dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e identificaram mais de 5 mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024, com 89 casos ocorrendo logo após sintomas de dengue; a cada 1 milhão de infecções, cerca de 36 pessoas podem desenvolver SGB, o que preocupa diante das epidemias recorrentes e do aumento global da dengue, que já registra 14 milhões de casos em 2024.

Cientistas recomendam inclusão da SGB nos protocolos de vigilância pós-dengue, intensificação da vigilância ativa após picos da doença, preparo dos sistemas de saúde para reconhecer sintomas precocemente, notificação obrigatória dos casos e reforço na prevenção, principalmente pelo combate ao mosquito Aedes aegypti e vacinação, visto que o Brasil registrou mais de 6 milhões de casos prováveis de dengue em 2024.

Pessoas infectadas pelo vírus da dengue apresentam um risco 17 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) nas seis semanas após a infecção. Esse risco é ainda mais elevado nas duas primeiras semanas após o início dos sintomas, podendo chegar a 30 vezes.

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Os dados são de um estudo conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz Bahia (Fiocruz) em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, publicado na revista científica New England Journal of Medicine.

De acordo com a pesquisa, em termos absolutos, a cada 1 milhão de casos de dengue, cerca de 36 pessoas podem desenvolver a SGB. Embora o número seja considerado baixo, os autores destacam sua relevância diante das epidemias recorrentes da doença no país.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma complicação neurológica rara, mas potencialmente grave. O estudo também aponta que a dengue tem se disseminado globalmente de forma mais rápida do que qualquer outra doença transmitida por mosquitos, com 14 milhões de casos registrados no mundo em 2024.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram três grandes bases de dados do Sistema Único de Saúde (SUS): internações hospitalares, notificações de dengue e registros de óbitos. Foram identificadas mais de 5 mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024, sendo que 89 ocorreram logo após o paciente apresentar sintomas de dengue.

Diante dos achados, os cientistas defendem a inclusão da SGB como complicação pós-dengue nos protocolos de vigilância em saúde. Eles alertam que, durante surtos, os sistemas de saúde devem estar preparados para identificar precocemente sinais como fraqueza muscular, além de garantir acesso a leitos de UTI e suporte ventilatório. A recomendação é que estratégias de vigilância ativa sejam intensificadas nas semanas seguintes ao pico de casos.

Segundo a Fiocruz, o estudo também contribui para orientar profissionais de saúde a suspeitarem de SGB em pacientes com histórico recente de dengue que apresentem sintomas como fraqueza nas pernas ou formigamento.

Os autores reforçam que o diagnóstico precoce é essencial, já que o tratamento — com imunoglobulina ou plasmaférese — é mais eficaz quando iniciado rapidamente. Também destacam a importância da notificação dos casos às autoridades de vigilância epidemiológica.

Atualmente, não há tratamento antiviral específico para a dengue, sendo o manejo baseado em hidratação e suporte clínico. Por isso, a prevenção segue como a principal estratégia, especialmente por meio do combate ao mosquito Aedes aegypti e da vacinação.

A imunização contra a dengue pode reduzir significativamente o número de infecções e, consequentemente, as complicações graves, como a SGB. Segundo os pesquisadores, evitar a infecção é a forma mais eficaz de prevenir esse tipo de paralisia potencialmente severa.

A Fiocruz ressalta ainda que o Brasil enfrenta epidemias frequentes da doença. Em 2024, o país ultrapassou a marca de 6 milhões de casos prováveis. Assim, mesmo sendo rara, a SGB pode atingir um número significativo de pessoas, exigindo preparo do sistema de saúde.

O estudo também relembra que a relação entre arboviroses e complicações neurológicas já foi observada durante a epidemia de Zika, entre 2015 e 2016, quando houve associação com microcefalia em bebês e aumento expressivo de casos de SGB em adultos. A dengue pertence à mesma família viral.

A Síndrome de Guillain-Barré ocorre quando o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, responsáveis por conectar o cérebro e a medula espinhal ao restante do corpo. O quadro provoca fraqueza muscular progressiva, geralmente iniciada nas pernas, podendo atingir braços, rosto e, em casos mais graves, comprometer a respiração.

Nessas situações, o paciente pode evoluir para paralisia total e necessitar de ventilação mecânica. Embora a maioria dos pacientes se recupere, o processo pode ser longo, durando meses ou até anos, e alguns podem apresentar sequelas permanentes.

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