Saúde

Mosquito maruim provoca pânico e "prende" moradores dentro de casa em SC

Inseto pode transmitir a Febre Oropouche; áreas rurais de Santa Catarina estão sofrendo com infestação do maruim

Da redação
DA REDAÇÃO

09/04/2026 • 12:14 • Atualizado em 09/04/2026 • 12:14

Maruim é um inseto minúsculo, mas provoca prejuízos grandes à saúde

Maruim é um inseto minúsculo, mas provoca prejuízos grandes à saúde

Prefeitura Municipal de São José (SC)

Um inseto minúsculo, mas que causa um desconforto imenso está provocando pânico entre moradores de áreas rurais de Santa Catarina. Em algumas cidades, como Ilhota e Luiz Alves, os moradores não estão nem saindo de suas casas para se proteger da picada do mosquito maruim, que provoca a febre oropouche.

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Conhecido popularmente como mosquito-pólvora, o maruim não pertence ao mesmo grupo dos mosquitos comuns (como o Aedes aegypti). Ele é um díptero da família Ceratopogonidae. Sua principal característica é o tamanho reduzido, o que permite que ele atravesse telas de proteção convencionais em janelas e portas, tornando as residências vulneráveis.

Diferente de outros vetores, o maruim se reproduz em solo úmido e rico em matéria orgânica. Em Santa Catarina, a forte presença de bananais e áreas de mata úmida oferece o habitat perfeito para a sua proliferação desenfreada.

Confinamento forçado

O termo "pânico" não é um exagero para descrever a situação dos moradores de Santa Catarina. Em áreas de alta infestação, a vida ao ar livre tornou-se impraticável.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Ilhota, os moradores da cidade estão ficando trancados dentro de casa para evitar as nuvens de insetos. Mesmosob forte calor, eles estão usando roupas pesadas para evitar as picadas: calças jeans, blusas de manga longa, meias altas e até luvas tornou-se a única forma de evitar centenas de picadas simultâneas. A sensação de impotência diante de um ataque constante está gerando estresse e ansiedade na população local.

A migração do vírus Oropouche da região Amazônica para o Sul do Brasil é atribuída a uma combinação de fatores como as mudanças climáticas, que favorecem o ciclo reprodutivo dos insetos e a redução de predadores naturais e a alteração do uso do solo facilitam a explosão populacional do maruim. O uso de inseticidas tradicionais (fumacê) é pouco eficaz contra o maruim, pois ele se aloja em locais de difícil acesso para o veneno, como a base úmida de plantas e o solo.

Alergia e febre Oropouche

A picada do maruim é desproporcional ao seu tamanho. A saliva do inseto contém substâncias anticoagulantes que causam irritação severa. Em algumas pessoas, as picadas resultam em prurigo estrófulo (alergia à picada de inseto), gerando pápulas avermelhadas que coçam intensamente e podem levar a infecções secundárias pelo ato de coçar. No entanto, o risco mais grave, é a transmissão da Febre Oropouche. O maruim é o principal vetor desta virose no ciclo urbano. Os sintomas são frequentemente confundidos com os da dengue:

  • Febre alta de início súbito;
  • Dor de cabeça (cefaleia) intensa;
  • Dores musculares e nas articulações;
  • Tontura e sensibilidade à luz.

Embora a maioria dos casos tenha evolução benigna, a doença pode apresentar uma "recidiva" (os sintomas voltam após alguns dias de melhora) e, em casos raros, evoluir para meningite viral.

Como se Proteger?

Até que medidas de controle biológico sejam implementadas em larga escala, a prevenção é individual, com o uso reforçado de repelentes, com destaque para produtos à base de Icaridina; barreiras Físicas - roupas e telas nas janelas e portas - e a higiene ambiental.