Saúde

Mudanças climáticas agravam doenças mentais no trabalho, aponta pesquisa

Com recorde de 540 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, campanha Abril Verde do MPT busca integrar segurança do trabalho e resiliência climática para proteger o bem-estar emociona

Da redação
DA REDAÇÃO

14/04/2026 • 14:55 • Atualizado em 14/04/2026 • 14:55

Eventos extremos provocados por mudanças climáticas afetam a saúde mental

Eventos extremos provocados por mudanças climáticas afetam a saúde mental

Reprodução/Agência Brasil

O cenário do mercado de trabalho brasileiro enfrenta um desafio que vai além das planilhas de produtividade e das metas trimestrais. No ano passado, o Brasil atingiu a marca alarmante de 540 mil afastamentos previdenciários motivados por transtornos mentais e comportamentais. Diante desse quadro, a campanha Abril Verde 2026 traz um alerta urgente: como o desequilíbrio do planeta está adoecendo quem trabalha?

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Com o mote “Clima equilibrado. Trabalho protegido. Mente saudável”, o Ministério Público do Trabalho (MPT) foca este ano na relação entre os eventos climáticos extremos e o colapso emocional no ambiente laboral.

Não se trata apenas de suportar o calor ou a chuva. Eventos como enchentes, queimadas e deslizamentos criam um ambiente de insegurança constante. Para o trabalhador, o impacto é duplo: o risco físico imediato e a sobrecarga emocional de operar em condições adversas.

De acordo com o MPT, essa exposição intensifica quadros graves, como:

Ansiedade crônica: Gerada pela incerteza e insegurança habitacional ou de deslocamento.

Síndrome de Burnout: Agravada pela pressão de manter resultados em cenários de crise ambiental.

Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT): Comum em profissionais que atuam na linha de frente de desastres ou que perdem bens e familiares enquanto precisam manter o vínculo empregatício.

A pressão em setores vulneráveis

O vice-coordenador nacional adjunto da Codemat, André Pessoa, destaca que as ondas de calor, por exemplo, não afetam apenas o corpo. Profissionais da limpeza urbana e da construção civil enfrentam um estresse térmico que, somado à pressão por produtividade, resulta em exaustão mental profunda. "Mudanças climáticas ampliam a insegurança e a instabilidade. Eventos climáticos devem integrar a análise de riscos também por seus impactos na organização do trabalho", afirma Pessoa.

Em 2025, o MPT registrou 1.017 denúncias diretas sobre saúde mental no trabalho. O ranking de reclamações por estado revela onde a pressão é mais crítica:

As queixas envolvem desde metas inalcançáveis até ambientes baseados no medo, fatores que ganham contornos ainda mais dramáticos quando o trabalhador já está fragilizado por desastres ambientais.

Prevenção: o caminho é a escuta

Para Raymundo Ribeiro, coordenador nacional da Codemat/MPT, a solução exige uma reorganização humana do trabalho. O foco deve ser a escuta ativa e a criação de jornadas sustentáveis, respeitando os limites legais e as vulnerabilidades individuais.

A vice-coordenadora Gisela Nabuco reforça a necessidade de participação: "É fundamental ouvir quem trabalha. O trabalhador deve participar ativamente do levantamento dos fatores psicossociais e do monitoramento das medidas de prevenção".

Por que Abril Verde?

A campanha não escolheu o mês ao acaso. Abril concentra duas datas fundamentais para a saúde global:

7 de abril: Dia Mundial da Saúde (criação da OMS em 1948).

28 de abril: Dia Mundial de Segurança e Saúde do Trabalho (instituído pela OIT em memória às vítimas de acidentes laborais).

Durante todo o mês, sedes do MPT em todo o país serão iluminadas de verde, e audiências públicas serão realizadas para discutir como garantir um meio ambiente de trabalho que seja, ao mesmo tempo, seguro para o corpo e acolhedor para a mente.

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