
O erro "invisível" no seu prato que trava o metabolismo e gera gordura
Helena Pontes/Agência IBGE Notícias
Em meio ao aumento de casos de sobrepeso e obesidade, especialistas em nutrição apontam um responsável pouco óbvio pelo acúmulo de gordura: o consumo diário de alimentos ultraprocessados.
Esse hábito altera a percepção de fome e dificulta o funcionamento adequado do metabolismo, atrapalhando inclusive pessoas que tentam fazer dieta.

Como a indústria "vicia" seu paladar e sua fome
O corpo conta com mecanismos complexos, no sistema digestivo e no cérebro, para equilibrar a entrada de calorias e avisar quando já é hora de parar de comer. Segundo nutricionistas, os ultraprocessados conseguem driblar esses sensores de saciedade.
Um dos motivos é a alta densidade calórica. Biscoitos recheados, salgadinhos de pacote e fast food concentram muita energia em porções pequenas.
Assim, a pessoa ingere mais calorias do que imagina, sem o aumento proporcional de volume no estômago que ajudaria a sinalizar o fim da refeição.
Outro fator é o chamado "hipersabor". Para o paladar, a combinação de açúcares, gorduras, sal e aditivos cria um sabor intenso e difícil de largar.
Pesquisadores descrevem que esses produtos são formulados para estimular o cérebro de forma semelhante a um reforço de hábito, o que favorece o consumo frequente e em grandes quantidades.
Na prática, o organismo tende a subestimar a energia vinda desses itens. A sensação de plenitude chega tarde ou nem chega, e o excesso de calorias passa a ser armazenado em forma de gordura, especialmente quando o gasto energético diário é baixo.
Por que seu cérebro não percebe o que você bebe

Foto: Envato Elements
Além da comida, as chamadas calorias líquidas se tornaram um dos principais sabotadores do controle de peso. Refrigerantes, refrescos prontos, chás adoçados, bebidas energéticas e até alguns cafés com muito açúcar entregam grande quantidade de energia sem provocar a mesma sensação de saciedade dos alimentos sólidos.
Pesquisas indicam que o organismo tem menor capacidade de "registrar" as calorias vindas de bebidas açucaradas. Para o cérebro, o líquido passa rápido pelo estômago, não gera mastigação e quase não aumenta a percepção de volume ingerido.
O resultado, de acordo com especialistas, é que a pessoa bebe calorias extras, mas continua com a mesma fome na hora da refeição.
Isso facilita o consumo involuntário de energia em excesso ao longo do dia. Mesmo quem mantém um prato aparentemente moderado pode somar centenas de calorias com copos de refrigerante, sucos industrializados e outras bebidas adoçadas.
O segredo para o peso ideal sem passar fome
Para destravar o metabolismo e permitir que o próprio corpo regule melhor o apetite, a orientação central é fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação.
Vegetais, frutas, arroz, feijões, raízes, castanhas e proteínas pouco processadas tendem a ter mais fibras, maior volume e menos calorias por porção.
Essas características aumentam o poder de saciedade e ajudam a evitar que se coma além do necessário. Conforme explicam especialistas, quando o prato é composto principalmente por comida de verdade, o organismo ganha tempo para acionar seus mecanismos biológicos de controle da fome.
Manter horários regulares, mastigar devagar e prestar atenção ao ato de comer também faz diferença.

