
Aedes aegypti com Wolbachia
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Resumo
Método Wolbachia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia, visando reduzir a transmissão de dengue, chikungunya e zika em humanos em 14 países.
Cientistas desenvolveram Aedes aegypti infectados com espécies de wolbachias capazes de impedir a multiplicação de arbovírus e favorecer a reprodução dos mosquitos portadores da bactéria, ampliando seu impacto na população local.
Instituto de Biologia Molecular do Paraná e World Mosquito Program inauguraram a maior biofábrica do mundo no Brasil, com capacidade de produzir 6 milhões de mosquitos por semana, beneficiando mais de 750 mil pessoas em Brasília e municípios vizinhos, além de gerar economia significativa para o governo.
Presente em 14 países, o método Wolbachia consiste em liberar no ambiente mosquitos inoculados com a Wolbachia, para que se reproduzam com a população local de Aedes aegypti e gerem descendentes também portadores da bactéria e, portanto, com menores chances de transmitir dengue, chikungunya ou zika para humanos.
As wolbachias são um gênero de bactérias presente em mais da metade dos insetos do mundo, estima a ciência. Em estudos desenvolvidos desde o início dos 2010, cientistas conseguiram reproduzir com segurança Aedes aegypti infectados com espécies de wolbachias que não ocorreriam naturalmente no mosquito.
No Aedes, tais bactérias demonstraram ser capazes de impedir a multiplicação de diferentes arbovírus transmissíveis aos humanos, sendo ao mesmo tempo capazes de favorecer que mosquitos com a bactéria tenham uma vantagem reprodutiva sobre populações não infectadas.
Segundo a Fiocruz, a expectativa é que para cada R$ 1 investido, a economia do governo em medicamentos, internações e tratamentos em geral gire entre R$ 43,45 e R$ 549,13.
Maior fábrica do mundo é no Brasil
O Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP) inauguraram neste ano a Wolbito do Brasil, maior biofábrica do mundo especializada na criação do mosquito Aedes aegypti inoculado com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus de doenças.
Outras unidades
No Brasil, 16 cidades já implementaram a técnica. Em Brasília a nova fábrica vai beneficiar dez regiões do Distrito Federal, além dos dois municípios goianos, impactando mais de 750 mil pessoas. A unidade tem uma das maiores operações do método Wolbachia no Brasil, com capacidade para produzir 6 milhões de mosquitos adultos por semana.

