Saúde

O que é síndrome do ombro congelado, problema citado por Eliana

Queda do estrogênio favorece processos inflamatórios, rigidez articular e limitação severa nos braços; especialistas alertam que muitas mulheres demoram a associar as dores às mudanças hormonais

Da redação
DA REDAÇÃO

08/06/2026 • 16:26 • Atualizado em 08/06/2026 • 16:26

Eliana comentou sobre o problema que enfrenta na menopausa

Eliana comentou sobre o problema que enfrenta na menopausa

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Quando a apresentadora Eliana revelou publicamente ter enfrentado um quadro de "ombro congelado", o relato gerou imediata identificação e acendeu um importante alerta para uma condição médica que afeta milhares de mulheres, mas que ainda permanece cercada de desinformação. Conhecida cientificamente como capsulite adesiva, a doença provoca dores intensas e uma perda progressiva da mobilidade articular, transformando gestos corriqueiros do dia a dia em tarefas hercúleas.

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Embora o senso comum costume associar a menopausa quase que exclusivamente aos famosos fogachos (as ondas de calor) e às irregularidades menstruais, médicos e pesquisadores apontam que a severa flutuação e o subsequente declínio hormonal geram impactos sistêmicos profundos, incluindo o sistema musculoesquelético. O ombro congelado tem figurado, com frequência cada vez maior, como uma queixa central em consultórios de ortopedia e endocrinologia.

Estrogênio e articulações

De acordo com a ortopedista Juliana Munhoz Vergara, há uma sólida e documentada correlação entre a drástica redução dos níveis de estrogênio no organismo feminino e o aparecimento da capsulite adesiva. "Na faixa da menopausa, geralmente entre os 45 e 60 anos, as mulheres podem apresentar mais dor e rigidez nos ombros por conta de uma inflamação e do espessamento da cápsula que envolve a articulação. Isso causa dor, limitação dos movimentos e dificuldade para levantar os braços. Atividades simples como pentear o cabelo, vestir uma roupa, fechar o sutiã ou alcançar objetos acima da cabeça passam a ser muito mais difíceis.", diz Juliana Munhoz Vergara.

A ortopedista detalha que o estrogênio atua como um verdadeiro escudo protetor para os tecidos que compõem as articulações. Com a falência ovariana própria dessa fase biológica, o corpo perde esse mecanismo regulador, abrindo caminho para desequilíbrios celulares deletérios.

"O hormônio estrogênio ajuda a controlar células inflamatórias e fibroblastos, que são responsáveis pela formação de fibrose. Quando há queda hormonal, esse mecanismo protetor diminui e aumenta a produção dessas células, favorecendo uma cicatrização exagerada que deixa o ombro cada vez mais rígido", complementa a ortopedista.

Sintomas silenciosos

A discussão trazida pelo caso da apresentadora Eliana ganha urgência em um cenário onde a exaustão e o sofrimento feminino costumam ser normalizados ou atribuídos unicamente ao envelhecimento natural. Muitas mulheres enfrentam anos de declínio na qualidade de vida sem o suporte médico adequado devido à falta de informação.

Para a endocrinologista Maria Leticia Murba, o principal obstáculo para o manejo da transição menopausal ainda reside na barreira do desconhecimento. “Muitas mulheres chegam ao consultório acreditando que estão apenas cansadas, ansiosas ou vivendo um período de estresse. Nem sempre elas relacionam sintomas como insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, alteração de humor ou redução da libido às mudanças hormonais da transição menopausal.”, diz ela.

A médica ressalta que o impacto hormonal desregula o relógio biológico de forma global. "A oscilação hormonal interfere diretamente na qualidade do sono. Muitas mulheres passam a dormir mal sem entender a origem do problema, e isso impacta humor, memória, energia e disposição ao longo do dia", elucida.

Tratamento precoce e devolução da autonomia

Apesar de o ombro congelado possuir um curso de evolução lento e doloroso, o prognóstico clínico é amplamente favorável quando a intervenção ocorre em tempo oportuno. A reabilitação física desponta como o pilar central do tratamento.

"A fisioterapia é o primeiro tratamento indicado e continua sendo a principal ferramenta para recuperação. Em casos mais graves, com limitação muito importante dos movimentos, pode haver necessidade de intervenção cirúrgica, mas quando o tratamento começa cedo, a resposta costuma ser bastante satisfatória", garante a ortopedista Juliana Munhoz Vergara.

O consenso entre o corpo médico é categórico: dores contínuas, perda de amplitude articular e impedimentos funcionais nas atividades do dia a dia não devem ser aceitos como fatalidades cronológicas. O diagnóstico preciso e a abordagem transdisciplinar — unindo ortopedia, fisioterapia e endocrinologia — restabelecem a autonomia, a integridade física e o bem-estar, provando que é possível vivenciar a maturidade com plena qualidade de vida.

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