Saúde

Pubalgia: entenda condição que afeta até 19% de jogadores de futebol

Estudos indicam que dores crônicas na virilha de atletas profissionais e amadores estão frequentemente associadas ao impacto femoroacetabular

Da redação
DA REDAÇÃO

13/07/2026 • 12:15 • Atualizado em 13/07/2026 • 12:15

Jogadores da Argentina comemoram chegada à semi da Copa do Mundo

Jogadores da Argentina comemoram chegada à semi da Copa do Mundo

Agustin Marcarian/Reuters

O período de disputa da Copa do Mundo reforça um alerta nos departamentos médicos dos clubes e seleções para uma das lesões mais complexas do esporte: a pubalgia. Considerada uma das principais causas de dor crônica na virilha entre atletas, a condição apresenta uma prevalência que varia entre 4% e 19% em jogadores profissionais de futebol, dependendo diretamente da modalidade e do nível de competição.

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Especialistas apontam que a grande maioria desses casos decorre de alterações mecânicas na articulação do quadril, o que exige um diagnóstico preciso para evitar o afastamento prolongado dos gramados.

O alerta parte de Thiago Fuchs, médico ortopedista e cirurgião especialista em cirurgia de quadril. Ele observa um aumento expressivo na procura por atendimento de pacientes com dores persistentes na virilha, no púbis e no quadril.

De acordo com as análises clínicas, muitos atletas passam meses ou até anos tratando de forma equivocada apenas a musculatura superficial da região afetada, sem identificar a verdadeira origem fisiológica do problema.

“Hoje sabemos que uma parcela importante dos casos de pubalgia está associada a alterações do quadril, especialmente o impacto femoroacetabular. Quando existe essa alteração mecânica, o organismo passa a compensar os movimentos, gerando sobrecarga nas estruturas da pelve, da virilha e da musculatura adutora e do reto abdominal”, explica Thiago Fuchs.

Conexão anatômica e impacto no esporte

A relação direta entre a pubalgia e as alterações estruturais do quadril encontra respaldo em dados consolidados da literatura científica internacional.

Um estudo específico realizado com atletas portadores de dor púbica identificou sinais de impacto femoroacetabular em até 86% dos pacientes avaliados.

Além disso, uma revisão científica publicada na revista especializada Frontiers in Surgery mostra que, quando o quadril perde parte de sua mobilidade natural, a região da virilha e do púbis passa a receber uma sobrecarga acentuada durante corridas, chutes e mudanças rápidas de direção, o que favorece o surgimento das crises dolorosas.

O problema atinge a rotina dos clubes de forma contínua. Outro levantamento epidemiológico recente aponta que aproximadamente 55% dos atletas apresentam pelo menos um episódio de dor na região do quadril ou da virilha ao longo de um único ano, evidenciando a relevância do tema para a medicina esportiva contemporânea.

Embora o foco principal esteja nos jogadores de futebol devido à alta intensidade de carga, a pubalgia não se restringe aos profissionais da bola.

Corredores, praticantes de beach tennis, tênis tradicional, artes marciais, cross training e esportes de quadra em geral figuram entre os grupos mais acometidos. Os sintomas costumam iniciar de forma discreta, manifestando-se logo após treinos intensos, mas evoluem progressivamente para dores agudas limitantes durante atividades cotidianas.

Tratamento e índices de recuperação

Quando o diagnóstico ocorre de maneira precoce, a abordagem terapêutica inicial prioriza métodos conservadores, como fisioterapia especializada, fortalecimento do CORE, exercícios de mobilidade e correção biomecânica dos movimentos que provocam a sobrecarga. No entanto, nos casos em que há uma alteração estrutural consolidada na articulação, a intervenção cirúrgica torna-se necessária.

O procedimento indicado para esses cenários é a artroscopia de quadril, uma técnica minimamente invasiva realizada por meio de pequenas incisões.

O método apresenta taxas de retorno ao esporte de aproximadamente 90%, permitindo que o atleta recupere a amplitude de movimento, o desempenho físico e a qualidade de vida. A correção da articulação reduz de forma imediata a pressão exercida sobre o púbis, resultando no desaparecimento dos sintomas.

Thiago Fuchs recomenda que os atletas realizem avaliações especializadas regulares e não negligenciem os primeiros sinais de desconforto. "A dor na virilha não deve ser considerada normal, principalmente quando persiste por semanas ou meses. Quanto mais cedo identificamos a causa, maiores são as chances de evitar a progressão da lesão, preservar a articulação do quadril e devolver ao paciente uma vida ativa e sem limitações", conclui.