Saúde

Pode tomar laxante para desinchar? Entenda os riscos da prática

Segundo uma pesquisa da Opinion Box, 38% dos brasileiros recorrem primeiro à automedicação

NICOLE DEFILLO

13/07/2026 • 07:00 • Atualizado em 13/07/2026 • 07:00

Intestino pode afetar saúde mental

Intestino pode afetar saúde mental

Unsplash

Recorrer a laxantes para “desinchar” pode parecer uma solução rápida para aliviar a sensação de barriga estufada. Mas o uso desses medicamentos sem orientação médica pode trazer riscos à saúde. A sensação de alívio após o uso é temporária e não resolve a causa do inchaço abdominal.

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Segundo a gastroenterologista Verônica Nicoli, da Rede de Hospitais São Camilo, os laxantes atuam de diferentes formas no organismo. “Existem diferentes tipos de laxantes: alguns estimulam o intestino aumentando o peristaltismo; outros aumentam o volume de água dentro do intestino, amolecendo as fezes. Há ainda os formadores de massa fecal e os emolientes, que facilitam a absorção de água pelas fezes e as tornam mais macias”, explica.

A especialista alerta que o uso frequente e sem indicação pode causar problemas graves. “Os laxantes podem causar desidratação devido à perda excessiva de líquidos, desequilíbrio de eletrólitos importantes para o organismo, danos cardíacos e renais, alterações na microbiota intestinal e na motilidade, deixando o intestino mais lento ou ‘preguiçoso’. Também podem levar à má absorção de nutrientes importantes para o nosso organismo”, afirma.

Nem todo inchaço é prisão de ventre

Nem toda sensação de barriga estufada está relacionada ao intestino preso. A coordenadora de Farmácia da Rede de Hospitais São Camilo, Natália Baesso, explica que o sintoma pode estar associado ao excesso de gases, à alimentação, à retenção de líquidos, a alterações hormonais ou até a doenças gastrointestinais que precisam ser investigadas.

Ela acrescenta que outro erro comum é usar laxantes como estratégia para emagrecer ou aliviar o inchaço. “Os laxantes promovem a eliminação do conteúdo intestinal, e não de gordura corporal. A perda de peso observada após o uso é temporária e ocorre principalmente pela perda de água e fezes”, ressalta.

Quando os laxantes são indicados

Apesar dos riscos da automedicação, existem situações em que os laxantes são recomendados. Segundo Verônica, eles são indicados principalmente para pacientes com constipação crônica quando medidas como hidratação adequada, alimentação rica em fibras e prática regular de atividade física não são suficientes para melhorar o funcionamento do intestino.

A médica explica que os medicamentos também podem ser utilizados na preparação para exames, como a colonoscopia, e em situações específicas, como pacientes acamados ou pessoas com hemorroidas severas que dificultam a evacuação. Já em casos de dor abdominal intensa, vômitos, distensão abdominal, obstrução intestinal ou impactação fecal, o uso deve ser evitado até que haja avaliação médica.

Automedicação segue frequente no Brasil

A prática faz parte de um cenário mais amplo de uso de medicamentos sem orientação profissional. Dados de uma pesquisa da Opinion Box, divulgada em 2026, apontam que 38% dos brasileiros recorrem primeiro à automedicação e só procuram um médico caso não apresentem melhora. Mesmo com 82% reconhecendo que esse hábito pode trazer riscos à saúde, o comportamento continua frequente.

Entre os medicamentos utilizados sem orientação, os laxantes exigem atenção especial. Natália alerta que o uso inadequado pode provocar cólicas, diarreia, desidratação e alterações nos eletrólitos, especialmente a redução dos níveis de potássio. Os medicamentos ainda podem interferir na absorção de outros remédios quando administrados em horários próximos e potencializar os efeitos de alguns tratamentos, como diuréticos, corticosteroides e digitálicos.

A farmacêutica destaca ainda que esse hábito pode mascarar doenças que exigem investigação, como obstrução intestinal, doenças inflamatórias intestinais e até câncer colorretal. Segundo ela, quando a constipação surge de forma repentina, persiste por muito tempo ou é acompanhada de perda de peso, sangue nas fezes, anemia, dor intensa ou alteração importante do hábito intestinal, é fundamental procurar avaliação médica para investigar a causa do problema e definir o tratamento adequado.

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