Saúde

SP investiga novo caso suspeito de ebola e reforça monitoramento da doença

Paciente de 31 anos esteve em região da República Democrática do Congo com registro de transmissão do vírus; exames laboratoriais ainda estão em andamento

Da redação
DA REDAÇÃO

10/06/2026 • 13:42 • Atualizado em 10/06/2026 • 14:15

Resumo

A investigação da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo envolve um caso suspeito de Ebola em uma brasileira de 31 anos, que esteve recentemente na província de Kivu do Norte, República Democrática do Congo, e apresentou sintomas como febre e diarreia após retornar ao Brasil.

A transferência da paciente para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas ocorreu após atendimento inicial em hospital privado, com isolamento e protocolos de biossegurança, enquanto exames laboratoriais pelo Instituto Adolfo Lutz buscam confirmação; um teste rápido para malária resultou negativo.

A atuação conjunta entre Secretaria Estadual da Saúde, Cievs e CVE-SP inclui capacitação de profissionais, atualização de orientações técnicas, reforço sobre baixo risco de introdução do Ebola no Brasil e esclarecimento de que a transmissão ocorre apenas por contato direto com fluidos corporais de pessoas sintomáticas, sem casos confirmados até o momento.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo investiga um novo caso suspeito de doença causada pelo vírus Ebola. A notificação foi registrada nesta quarta-feira (10), na capital paulista, e envolve uma brasileira de 31 anos que esteve recentemente na província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo (RDC).

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De acordo com a pasta, a paciente foi transferida de um hospital particular para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência nacional para atendimento de casos suspeitos ou confirmados da doença. Ela permanece internada em um leito de isolamento, em condição estável e seguindo todos os protocolos de biossegurança recomendados para situações desse tipo.

A mulher desembarcou no Brasil no último dia 6 de junho, após uma viagem de trabalho à RDC. Três dias depois, em 9 de junho, passou a apresentar sintomas como febre e diarreia, sendo atendida em um hospital da rede privada no mesmo dia. A transferência para o Emílio Ribas ocorreu na madrugada desta quarta-feira.

Segundo a Secretaria da Saúde, a investigação foi aberta porque a paciente atende aos critérios definidos para um caso suspeito, que incluem histórico recente de viagem para uma área com transmissão da doença e a presença de sintomas compatíveis com a infecção.

Até o momento, não há confirmação laboratorial de Ebola. As amostras coletadas estão sendo analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz. A paciente também realizou teste rápido para malária, que apresentou resultado negativo.

Primeiro caso suspeito do ano foi descartado

Este é o segundo caso suspeito de Ebola investigado em São Paulo em 2026. O primeiro foi registrado em um homem de 37 anos que também havia chegado da República Democrática do Congo.

Em 1º de junho, o governo estadual descartou a infecção pelo vírus após exames laboratoriais. As análises identificaram a presença da bactéria Neisseria meningitidis, causadora da meningite meningocócica. O paciente segue internado no Instituto Emílio Ribas, com evolução considerada favorável.

Nos dois episódios, o atendimento e o acompanhamento dos pacientes foram coordenados pela Secretaria Estadual da Saúde e pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), responsável por comunicar as suspeitas ao Ministério da Saúde.

Estado amplia capacitação de profissionais

Após a notificação do primeiro caso suspeito no país, a Secretaria de Estado da Saúde intensificou as medidas de vigilância epidemiológica.

Nos dias 8 e 9 de junho, o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP) promoveu uma capacitação online para mais de 1,1 mil profissionais da rede de saúde paulista. O treinamento abordou temas relacionados à vigilância epidemiológica, identificação de casos suspeitos, fluxos de atendimento, prevenção e resposta segura nos serviços de saúde.

Além disso, a pasta atualizou, em 3 de junho, a nota técnica sobre o vírus Ebola, incluindo novas orientações para identificação, notificação, investigação e monitoramento de pacientes e contatos.

Como ocorre a transmissão

O Centro de Vigilância Epidemiológica reforça que o vírus Ebola não é transmitido pelo ar. A infecção ocorre apenas por contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas e sintomáticas.

Segundo o órgão, não há transmissão durante o período de incubação da doença, ou seja, antes do aparecimento dos sintomas.

A nota técnica atualizada também destaca que o risco de introdução do Ebola no Brasil e na América do Sul continua sendo considerado muito baixo. O documento ressalta ainda que não existem vacinas licenciadas nem tratamentos específicos aprovados para a cepa Bundibugyo, uma das variantes do vírus.

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