Saúde

Vacina da dengue do Butantan: investigação não tem prazo para acabar

Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a imunização após duas mortes suspeitas e 42 relatos de reações adversas graves; doses serão mantidas armazenadas até conclusão das análises

Da redação
DA REDAÇÃO

09/06/2026 • 08:58 • Atualizado em 09/06/2026 • 08:58

Divulgação/Governo de SP

Resumo

Suspensão temporária da vacinação contra a dengue do Instituto Butantan foi determinada pelo Ministério da Saúde após 42 eventos adversos graves, incluindo duas mortes, em cerca de 500 mil pessoas vacinadas, motivando investigação sem prazo definido para conclusão.

Investigação coordenada pelo Ministério da Saúde, Anvisa, Instituto Butantan e especialistas analisará possíveis relações entre a vacina e os casos graves, considerando fatores como histórico clínico, doenças preexistentes, uso de medicamentos, condições imunológicas, armazenamento e aplicação das doses.

Vacina do Butantan, aprovada após estudos com 16 mil voluntários e eficácia de quase 80%, teve uso iniciado em janeiro de 2026 e ampliado para profissionais de saúde, permanecendo com doses armazenadas até esclarecimento dos eventos e orientação de monitoramento de sintomas incomuns para vacinados nos últimos 21 dias.

O Ministério da Saúde informou que ainda não há prazo definido para concluir a investigação sobre os eventos adversos registrados após a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A apuração motivou a suspensão temporária da estratégia de vacinação anunciada nesta segunda-feira (8).

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A decisão foi tomada após o registro de 42 reações adversas graves em um universo de aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas. Entre os casos investigados estão três ocorrências consideradas graves, incluindo duas mortes.

Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a suspensão tem caráter preventivo e busca permitir uma análise aprofundada dos episódios antes de qualquer decisão sobre a retomada da imunização.

Segundo o governo, não há evidências que comprovem, neste momento, uma relação direta entre a vacina e os casos graves registrados. A investigação pretende justamente determinar se existe ou não causalidade entre o imunizante e os eventos observados.

A apuração será conduzida pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo Instituto Butantan e por especialistas em farmacovigilância e epidemiologia. Entre os pontos que serão analisados estão o histórico clínico dos pacientes, possíveis doenças preexistentes, uso de medicamentos, condições imunológicas, armazenamento das doses e procedimentos de aplicação.

De acordo com o infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto Emílio Ribas, a suspensão demonstra o funcionamento dos mecanismos de monitoramento de segurança das vacinas.

"Quando um imunizante passa a ser aplicado em uma população muito maior do que a estudada nos ensaios clínicos, podem surgir eventos raros que precisam ser investigados. Isso não significa, necessariamente, que exista uma relação entre a vacina e os casos registrados", explicou.

A vacina do Butantan foi aprovada após estudos clínicos que acompanharam cerca de 16 mil voluntários e apontaram eficácia de quase 80% contra a dengue e de aproximadamente 90% contra formas graves da doença.

Segundo Gorinchteyn, a análise agora buscará identificar se os eventos registrados têm relação com características específicas dos pacientes ou se existe algum outro fator que possa ter contribuído para os casos graves.

Enquanto a investigação estiver em andamento, as doses já distribuídas permanecerão armazenadas na rede de frio do Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde ressaltou que os imunizantes não serão descartados e poderão voltar a ser utilizados caso a segurança da vacina seja confirmada.

A pasta também orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias fiquem atentas ao aparecimento de sintomas incomuns e procurem atendimento médico caso apresentem qualquer reação adversa.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e a primeira do mundo administrada em dose única. A imunização começou em janeiro de 2026 em municípios selecionados e posteriormente foi ampliada para profissionais de saúde em todo o país.

Sem previsão para a conclusão das análises, o futuro da campanha dependerá dos resultados da investigação conduzida pelas autoridades sanitárias.

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