
Aumento dos casos e avanço do câncer colorretal marcam os novos dados do INCA
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O Instituto Nacional de Câncer (INCA) divulgou nesta 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer, a Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil, para o triênio de 2026 a 2028. O documento estima a ocorrência de cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no país.
“O número representa um aumento superior a 10%. Quando excluímos o câncer de pele não melanoma (que, embora seja o tumor mais incidente, apresenta baixa letalidade), esse total também cresce, passando de 483 mil para 518 mil casos anuais”, afirma o oncologista Fernando de Moura, médico da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.
Mesmo com o aumento geral no número de diagnósticos, não houve alteração na ordem dos cinco tumores mais incidentes entre homens e mulheres. Nos homens, seguem liderando: câncer de próstata, câncer de cólon e reto, câncer de pulmão, câncer de estômago e câncer de cavidade oral. Nas mulheres, os cinco mais comuns continuam sendo: câncer de mama, câncer colorretal, câncer de colo do útero, câncer de pulmão e câncer de tireoide.
Embora os percentuais relativos não tenham sofrido grandes alterações, os números absolutos revelam tendências importantes.
“Entre os homens, o câncer de próstata apresenta um aumento compatível com o crescimento geral, passando de cerca de 70 mil para 78 mil novos casos por ano. Já o câncer colorretal chama ainda mais atenção: as estimativas sobem de aproximadamente 22 mil para 26 mil casos anuais, um aumento próximo de 30%. Esse dado reflete o que observamos na prática clínica, com um crescimento significativo dos tumores gastrointestinais, especialmente o colorretal, inclusive em populações mais jovens. Embora o INCA não estratifique esses dados por faixa etária nessa publicação, essa é uma tendência clara no consultório”, destaca o oncologista.
O câncer de pulmão permanece como o terceiro mais incidente entre os homens, mas com uma característica positiva: o número de novos casos praticamente estacionou nos últimos três anos. “Esse dado sugere o impacto favorável das políticas públicas de controle do tabagismo implementadas nas últimas décadas. A redução no número de fumantes se traduz, naturalmente, em menor incidência de tumores associados ao cigarro, especialmente o câncer de pulmão. Essa tendência já é observada em outros países, com queda nas taxas de incidência e mortalidade, e começa a se refletir também no Brasil”, ressalta Fernando de Moura.
Ainda entre os homens, dois tumores merecem destaque quando comparamos o Brasil a países desenvolvidos, como os Estados Unidos. “O câncer de estômago ocupa o quarto lugar em incidência no Brasil, enquanto aparece apenas na 13ª posição entre os norte-americanos. Trata-se de um tumor mais frequente em populações asiáticas, mas que ainda apresenta alta incidência no nosso país. O mesmo ocorre com o câncer de cavidade oral, que figura como o quinto mais comum entre os homens brasileiros, enquanto nos Estados Unidos ocupa apenas a nona posição. Esses tumores estão fortemente associados ao tabagismo, ao consumo de álcool e também às condições de saúde bucal, refletindo desigualdades no acesso a cuidados odontológicos e preventivos”, explica o médico.
Entre as mulheres, os cinco tumores mais incidentes mantêm a mesma ordem: câncer de mama em primeiro lugar, seguido pelo câncer colorretal, câncer de colo do útero, câncer de pulmão e câncer de tireoide. “Destaco novamente o crescimento do câncer colorretal, que apresenta um aumento de aproximadamente 20%, passando de cerca de 23 mil para 27 mil novos casos anuais, um crescimento acima da média dos demais tumores. Esse dado também é consistente com o que observamos na prática clínica”, diz Fernando de Moura.
O câncer de colo do útero continua sendo altamente incidente, com um aumento em torno de 10%, de 17 mil para 19 mil novos casos por ano. “Para fins de comparação, nos Estados Unidos esse tumor ocupa apenas a 13ª posição entre os mais incidentes. Sabemos que quase a totalidade dos casos está relacionada à infecção pelo HPV, para a qual já dispomos de vacina com potencial de erradicar a doença nas próximas décadas. No entanto, a vacinação pelo SUS está disponível há menos de dez anos, o que significa que muitas mulheres adultas e idosas não foram vacinadas. Para esse grupo, o rastreamento, por meio do exame de Papanicolau, continua sendo fundamental. Em países desenvolvidos, o câncer de colo do útero é raro, mas no Brasil ainda ocupa o terceiro lugar entre os mais frequentes e segue em crescimento”, alerta o oncologista.

