Vencer o Câncer

Pele, sol e futuro: por que danos solares hoje pesam nas próximas décadas

Oncologista alerta sobre os cuidados para evitar o câncer de pele

Instituto Vencer o Câncer
INSTITUTO VENCER O CÂNCER

11/12/2025 • 14:14 • Atualizado em 11/12/2025 • 14:14

O uso do protetor solar é fundamental para evitar o câncer de pele

O uso do protetor solar é fundamental para evitar o câncer de pele

Pixabay

Vivemos em um país com alta incidência de sol, o que torna muito importante entendermos como a radiação solar, especialmente a ultravioleta, afeta nossa pele ao longo dos anos.

Compartilhar

Quando a pele é exposta ao sol sem proteção, suas células sofrem danos que atingem desde as camadas mais externas até o núcleo, onde está o DNA. Esses impactos se somam durante o passar dos anos e, com a continuidade da exposição inadequada, podem gerar alterações permanentes. É esse processo gradual que resulta em consequências perceptíveis no médio e no longo prazo.

As consequências são, em geral, duplas: por um lado, o envelhecimento precoce da pele (com aparecimento de rugas, manchas, perda de firmeza e textura irregular). Por outro lado, há o aumento do risco de câncer de pele. As mutações no DNA das células da pele, causadas pela radiação UV, podem após muitos anos, às vezes décadas, evoluir para tumores malignos. Isso significa que o sol que “pegamos” hoje, sem proteção, pode contribuir para o surgimento de câncer de pele no futuro.

Por isso a proteção solar não é apenas uma questão estética ou de curto prazo: ela pode fazer toda a diferença na saúde da pele e no risco de doenças graves ao longo da vida.

Quem deve se preocupar? Em primeiro lugar os jovens, para evitar o acúmulo de danos que só apareceriam mais tarde. Depois, os adultos e idosos pois, mesmo se hoje não se expõem tanto, os danos de anos passados podem se manifestar. E, por fim, pessoas com áreas constantemente expostas (rosto, colo, couro cabeludo em casos de calvície, braços, antebraços etc.).

É essencial adotar, desde cedo, hábitos permanentes de proteção solar: usar protetor solar adequado, roupas com boa cobertura, chapéu, óculos, evitar exposição intensa em horários de pico de radiação, das 10h às 15h. E, acima de tudo, fazer avaliação dermatológica preventiva regular uma vez por ano, ou conforme orientação médica para que lesões suspeitas sejam identificadas no estágio inicial, quando o tratamento é mais simples e eficaz.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar, só neste ano, mais de 220 mil novos casos de câncer de pele não melanoma. Para o tipo mais agressivo, o melanoma, a estimativa anual nesse mesmo período é de 8.980 novos casos.

Esses dados reforçam o que já sabemos: prevenção é fundamental. Proteja-se. E mesmo sem lesões visíveis, o acompanhamento profissional é essencial para o diagnóstico precoce.

Maria Alzira Rocha é médica oncologista no Einstein Hospital Israelita e integrande do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer

Tópicos relacionados