
Estudo aponta entraves que limitam pesquisa clínica no Brasil
Instituto Vencer o Câncer/Divulgação
O que falta para o Brasil assumir um papel mais relevante na pesquisa clínica global? Um artigo publicado no JCO Global Oncology busca responder a essa pergunta ao apresentar um diagnóstico estruturado e propor medidas práticas para o país.
Com o título “From Diagnosis to Execution: A National Plan to Redesign Clinical Research in Brazil to Improve Cancer Care and Innovation Access” (“Do Diagnóstico à Execução: Um Plano Nacional para Redesenhar a Pesquisa Clínica no Brasil e Melhorar o Cuidado em Câncer e o Acesso à Inovação”, em tradução livre), o estudo reúne profissionais de saúde, representantes da indústria farmacêutica, pesquisadores e formuladores de políticas públicas.
Coordenado pelo oncologista Fernando Maluf, cofundador do Instituto Vencer o Câncer, e pela economista Gabriela Tannus, o trabalho consolida uma agenda estratégica para ampliar a participação brasileira em estudos clínicos, hoje em torno de 2,2% dos ensaios multicêntricos globais. O artigo destaca que o avanço da pesquisa clínica pode acelerar o acesso a tratamentos inovadores, fortalecer o sistema de saúde e reduzir desigualdades.
Entre os principais desafios apontados estão entraves regulatórios, a baixa integração com o SUS e a desigualdade regional. Como resposta, os autores propõem um plano estruturado com ações de curto, médio e longo prazo, além de destacarem o potencial do novo marco regulatório da pesquisa clínica no país.
Mais do que um diagnóstico, o estudo posiciona a pesquisa clínica como uma agenda estratégica nacional, essencial para transformar o potencial científico do Brasil em benefícios concretos para a população.
Movimento para aproximar a sociedade da pesquisa clínica
Em paralelo ao avanço desse debate, iniciativas de conscientização buscam aproximar a população do tema. Lançado em abril, o Movimento Pesquisa é Vida nasce com o propósito de ampliar o conhecimento da sociedade brasileira sobre os estudos clínicos e seu impacto direto na vida das pessoas.
A iniciativa é tornar esse universo mais acessível, mostrando como a pesquisa pode representar uma oportunidade real de tratamento, além de desmistificar percepções equivocadas que ainda afastam pacientes de terapias inovadoras.
O Movimento conta com o apoio do Instituto Vencer o Câncer e da Rede Vencer o Câncer de Pesquisa Clínica, que atuam para ampliar o acesso à pesquisa de qualidade no país e defendem a comunicação responsável como ferramenta essencial nesse processo.
Embora seja um tema de interesse público, a pesquisa clínica ainda chega ao grande público cercada de ruídos e simplificações. Nesse contexto, a iniciativa também busca:
- Ampliar a compreensão sobre como funciona a pesquisa clínica no Brasil;
- Esclarecer mitos e equívocos recorrentes;
- Reforçar a importância do rigor na divulgação científica;
- Tornar o tema mais acessível sem perder precisão.
Ao fortalecer o diálogo com a sociedade, o movimento contribui para que mais pessoas compreendam o papel dos estudos clínicos e possam, com informação, se beneficiar das oportunidades que eles oferecem.
O Instituto Vencer o Câncer divulgou, recentemente, um posicionamento sobre a Lei nº 14.874/24, que dispõe sobre a pesquisa clínica em seres humanos no Brasil.

